Então

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Ferreira Gullar ganha o Prêmio Camões


Ubiratan Brasil/AE
Escritor foi a estrela do 3º Festival da Mantiqueira, em SP


Poeta maranhense vence a edição 2010 da mais importante premiação da literatura portuguesa


O poeta Ferreira Gullar almoçava em um sugestivo local, chamado Sítio do Pica Pau Amarelo, na cidade de Monteiro Lobato, quando foi comunicado neste domingo, 30, de que vencera o Prêmio Camões, o mais prestigioso da literatura em língua portuguesa. "Estava justamente comentando sobre a magia dessa região, onde Lobato nasceu, quando recebi um telefonema", contou o escritor ao Estado.

Do outro lado da linha, Antônio Carlos Secchin, escritor e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, passou-lhe a boa notícia - Gullar vai ganhar a quantia de 100 mil euros. Em seguida, ele conversou com a ministra portuguesa de Cultura, Gabriela Canavilhas. "Jamais esperei ganhar algum prêmio, especialmente esse", comentou o poeta, que completa 80 anos no dia 10 de setembro.

Em 2002, Secchin liderou a inscrição de Gullar para o Prêmio Nobel de Literatura. A contragosto, o poeta aceitou o processo, que é conduzido por terceiros e não pelo indicado. "Será a segunda vez em minha vida que participo de um concurso: a primeira foi em 1950, quando ainda vivia em São Luís e inscrevi um poema (O Galo) na disputa de um prêmio do Jornal de Letras, do Rio de Janeiro", disse ele, na época.

Questionado pelo Estado se agora, com o Camões, ele considera que o caminho para o Nobel está facilitado, Gullar desconversou. "Sou como o periquito da Rua da Alegria, não ganho nada", brincou ele, que se prepara para lançar um livro inédito de poemas, Em Alguma Parte Alguma.

"É a poesia que estava em alguma parte da vida", disse ele no último domingo, quando foi a estrela do 3.º Festival da Mantiqueira, em São Francisco Xavier, onde foi ovacionado, especialmente por frases como "A arte existe porque a vida, por si só, não basta".

Desde o último domingo, Ferreira Gullar participa da Viagem Literária, programa da Secretaria Estadual da Cultura que leva escritores para diversas cidades do interior paulista. No domingo, ele passou pela biblioteca de Monteiro Lobato. Nesta segunda-feira, foi a vez de São Bento do Sapucaí e, nesta terça, 1º, será a de Pindamonhangaba e Guaratinguetá. "Agora, a assistência deverá ser maior", brincou o escritor.

Palecete e prédio modernista interligados por cobertura vão abrigar museu


Solução encontrada pelos arquitetos Thiago Bernardes e Paulo Jacobsen foi 'tirar um pedacinho do mar e colocar lá em cima'


RIO - A solução encontrada pelos arquitetos Thiago Bernardes e Paulo Jacobsen para unir um palacete de 1916 ao prédio modernista vizinho foi "tirar um pedacinho do mar e colocar lá em cima". Essa é a definição de Jacobsen para a cobertura "fluida" projetada para interligar os dois prédios, de estilos completamente distintos.

Unidos, eles vão abrigar o Museu de Arte do Rio (MAR), na Praça Mauá, zona portuária. A inauguração está prevista para o fim de 2011.

"Foi uma espécie de charada. A gente precisou queimar a mufa para fazer uma coisa que unisse e não fosse completamente absurda. A sensação é a de um tapete voador, uma nuvem, um pedacinho do mar", diz o arquiteto, referindo-se à cobertura ondulada. Duas passarelas suspensas, de estrutura translúcida, vão permitir a travessia entre os prédios, distantes dez metros um do outro.

Além da cobertura e das rampas, um teleférico vai conectar o MAR ao Morro da Conceição, enclave colonial no centro do Rio. A estação ficará no terraço do prédio modernista (o da esquerda), onde haverá uma praça. As visitas ao MAR vão começar de lá. Não será possível ter acesso ao palacete ao lado, onde ficarão concentradas as exposições, do térreo.

"A praça suspensa será um lugar de desfrute, terá um café-bar. O fluxo de cima para baixo passou a ser determinante em função do teleférico", explica o arquiteto. "Procuramos não fazer da arquitetura a vedete, mas uma vitrine viva, para que as pessoas apareçam. Por isso as passarelas e varandas translúcidas. Espero que aquilo fique cheio de gente."

Em função do grande pé-direito e do vão livre, o palacete neoclássico vai abrigar uma exposição permanente sobre a história da cidade nos dois últimos andares. Os dois primeiros vão receber mostras temporárias. A proposta do curador do MAR, Leonel Kaz, é utilizar acervos públicos e, principalmente, privados. "Existem acervos raros em importantes coleções de arte que merecem se tornar conhecidos do grande público", aponta Kaz.

No prédio modernista, da década de 1940, que já abrigou estruturas da Polícia Civil e é interligado a um antigo terminal rodoviário, será instalada a Escola do Olhar, um lugar de "aprendizado, produção e provocação". Essa ala também receberá salas de exposição multimídia e áreas de administração.

Com a retirada de apliques de fechamento das fachadas, a estrutura modernista de colunas recuadas se tornará visível. Trechos dos pavimentos ficarão abertos, o que permitirá a circulação por varandas com ventilação e iluminação natural. A área dos pilotis de 7 metros de altura, no térreo, hoje usada como acesso para o terminal, será transformada em um grande foyer do complexo, com jardins e auditório para 220 pessoas.

O público subirá de elevador para a praça suspensa, que ficaria aberta à noite, após o fechamento do museu. Uma das atividades previstas é a projeção de imagens na cobertura ondulada, que seria transformada em uma grande tela horizontal.

Jacobsen pretende que o museu funcione como "escada" para o morro, e vice-versa. "A ideia é que haja um posto avançado lá em cima. As pessoas do museu também vão visitar o Morro da Conceição", diz. "Acho que a revitalização da zona portuária passa pela humanização de áreas degradadas como a Praça Mauá. Mas ações isoladas não funcionam. O museu tem um papel nessa valorização, e a ligação com o morro é muito importante."

Abandonado há décadas, o palacete de 1916 abrigou o Departamento Nacional de Portos, Rios e Canais. Foi cedido à prefeitura pelo governo federal no ano passado, após imbróglio judicial. Depois de eleito, o prefeito Eduardo Paes chegou a cogitar a transferência da sede da administração para o prédio, tombado em 2000, mas mudou de ideia. O plano seguinte foi instalar ali a Pinacoteca do Rio, que virou Museu de Arte do Rio.

O projeto do MAR será anunciado nesta terça-feira, 1º, - a previsão de custo é de R$ 43 milhões. Trata-se de iniciativa da prefeitura e da Fundação Roberto Marinho, responsável pelos museus do Futebol e da Língua Portuguesa, em São Paulo.

Fonte. Estadão

quarta-feira, 26 de maio de 2010

O SILÊNCIO É MORTAL

Você já se perguntou porque é que dizem que o silêncio é mortal? Numa divagação parva e completamente despretensiosa acho que descobri. O silêncio é mortal porque os cadáveres não reclamam. Você pode arranhar, beliscar, bater, traficar e assim mesmo eles continuarão a manter uma mudez letal, os mortos não revidam. Mortos não discutem política e economia, não sabem se o MST está ou não certo, eles não se importam se amanhã vai chover ou não. Mortos não consultam o horóscopo, não ligam e desligam o despertador o celular e a boca do fogão. Eles não precisam escovar os dentes, pentear os cabelos. Corpos em sua vida de finado vão no máximo uma vez ao médico, morto não pega gripe. Não dorme descoberto e, se dorme não está nem aí. Mortos não esquecem datas importantes, não tem patrão. Enfim, os mortos negam a existência a si e aos outros.

Passando agora da rigidez cadavérica e sutil deste texto, vamos pular para outra esquina. Negando o princípio da lógica, me desculpem os filósofos, mas este texto já começa errado pelo título, eu sei. Mas vou dar uma de morto e não vou me importar. Agora, me diga, são os mortos que são indiferentes a nós, ou nós que somos indiferentes a eles? Vejamos, você alguma vez não revidou? Não revidou porque você estava morto ou porque o objeto da réplica estava? Você alguma vez, por total descaso olhou a bina do celular e não atendeu? Não atendeu porque você estava morto ou porque você não atende ligações de cadáveres? Poderíamos fazer comparações durante todo o texto, mas creio que o caro leitor já pegou a veia do discurso.

Agora, me diga, de qual lado você quer estar? Indiferença é primeira ordem para os mortos. Mortos são completamente indiferentes, eles não querem saber se você está bem, se você está sofrendo, mortos tem os sentimentos anestesiados. Você já matou alguém? Confesse. Todo mundo já matou alguém. E, como em alguns crimes, as pessoas são passíveis de arrependimento, entretanto, sabemos que para a morte não há remédio, se alguém souber me avise que eu mudo o texto. Há alguns que matam aos poucos, outros que matam de forma fulminante, e todo aspirante a morto avisa ao menos uma vez que está a ponto de morrer. Suplica ignorada e está lá mais um corpo estendido no chão. Triste? Nem sempre. E se você acha que eu acho graça disso tudo, pense melhor, afinal morto também não ri.

Zeca Arruda

Publicado no Recanto das Letras em 26/04/2010
Código do texto: T2219815

TWITTEIROS PREPARAM ENCONTRO EM CURITIBA

Um grupo de twitteiros de Curitiba, aquele pessoal que não fica um dia sem as postagens de até 140 na rede microblogs, programou dia 26/06 um Encontro de Twitteiros. O bate-papo fora da sala virtual, mas de laptop na mão (tem wirelles free), começa a partir 19h30 no Jokers na Rua São Francisco, 164, nos arredores do Largo da Ordem no centro da capital.

O encontro, garante a twitteria Lara Sfair (@LaraSfair), não tem hora para acabar. Ah, para confirmar presença, basta rettwitar este post no perfil do @Boca_Maldita ou mandar mensagens para o perfil da @TukaScaletti e @sanchotenejoyce, que estão organizando a lista da galera.

E-MAIL PARA PRESENÇA NO ENCONTRO DE TWITTEIROS
[ 20/05 ]
Atenção twitteiros: acaba de ser divulgado o e-mail para confirmar presença no Encontro de Twitteiros no dia 26 de junho, em Curitiba. Então, se vcê é adepto do microblog, ou está afim de conhecer esta turma, mande mensagem confirmando presença para joyce52sanchotene@gmail.com.

O Encontro de Twitteiros de Curitiba terá início às 19h30 no Jokers Pub, na Rua São Francisco, 164, nos arredores do Largo da Ordem no centro da capital. A reunião, garante a twitteria Lara Sfair (@LaraSfair), será regada a rock n roll e não tem hora para acabar.

Da uma olhadinha no lugar do encontro Aqui

O que é o projeto Curta na Escola?

A idéia de incentivar o uso de filmes de curta metragem brasileiros como material de apoio pedagógico em salas de aula já existia desde o início do projeto Porta Curtas Petrobras, em agosto de 2002.

Em março de 2006, através da ativação do módulo Curta na Escola, passamos a oferecer indicações de uso pedagógico para boa parte do acervo de centenas de filmes cuja exibição na íntegra é disponibilizada através do site.

Pedagogos especializados passaram a contribuir com sugestões - pareceres pedagógicos sobre como utilizar cada filme indicado na abordagem de variadas disciplinas e temas transversais, em todos os níveis de ensino.

A adesão imediata de um grande número de professores, baixando os pareceres e elogiando o serviço, motivou o desenvolvimento do Projeto Curta Na Escola, que reúne neste website um conjunto de ferramentas interativas integralmente dedicadas a promover o uso dos curtas-metragens brasileiros na educação.

Aqui, professores cadastrados compartilham suas vivências em torno da utilização dos curtas em sala de aula através de comentários aos filmes, discussões no fórum e, principalmente, do envio de relatos de suas experiências com a exibição de filmes aos alunos. Tais relatos integram um grande banco de experiências educacionais, permanentemente aberto para consultas por todos.

-> Clique aqui para acessar o Banco de Relatos

O projeto é aberto a professores do todo o brasil, e tem por objetivo constituir uma Comunidade Nacional de Aprendizagem em torno da construção colaborativa de conteúdos relacionados ao uso dos curtas-metragens brasileiros em escolas de todo o país.

-> Clique aqui e saiba como participar

Proposta Pedagógica

O curta-metragem brasileiro apresenta diferenciais educacionais importantes, quando comparado a outros conteúdos:

Este tipo de conteúdo, por ser produzido no Brasil e por realizadores brasileiros, representa nossa sociedade e a nossa cultura;

A qualidade da produção brasileira de filmes neste formato é reconhecida em todo o mundo por sua excelência;

Sua curta duração, geralmente próxima de 15 minutos, faz com que os conteúdos sejam ideais para utilização em sala de aula, permitindo que os filmes sejam utilizados como “porta de entrada” de um assunto, fonte adicional de informação, pretexto para debater um tema ou para “coroar” o final de um projeto.

O potencial do uso do audiovisual na educação, em geral, não é novidade, mas as formas de sua implementação prática vêm evoluindo bastante, indicando caminhos mais elaborados para se lograr sucesso.

"Trabalhar com recursos visuais nas diversas áreas do conhecimento tornou-se uma imposição dos tempos atuais. As possibilidades de uso do cinema na escola são inúmeras, já que ocorrem muitas conexões com Literatura, História, Artes e Temas Transversais. Não é novidade que podemos falar das possibilidades de uso de filmes em qualquer contexto educacional. (...) mas apresentar um filme como forma de ilustrar um conteúdo de forma tradicional pode se mostrar tão ineficaz quanto a adoção de alguns livros didáticos. (...) Essa é uma questão urgente que exige criatividade, ousadia, experimentação, o que, normalmente nos deixa inseguros. Como todas as ações em Educação, um trabalho de troca e reflexão entre educadores promove a ampliação das possibilidades didáticas de uso das obras."

Eliane Cândida Pereira
Formadora de educadores na rede de ensino de S. Bernardo do Campo, SP

Por isso a criação de um serviço de Internet destinado à construção colaborativa de conteúdos pedagógicos em torno do uso das obras com potencial de uso pedagógico é fundamental:

"Mas, afinal, qual a diferença entre criar redes e fazer sites na internet?
Construir comunidades virtuais e mantê-las ativas, dinâmicas e vivas não é trivial. É um desafio muito mais complexo do que fazer sites bonitos ou cheios de conteúdo. A diferença está no uso de tecnologias que ajudam as pessoas a se comunicar para produzir conhecimento cooperativamente."

Gilson Schwartz
Idealizador da Cidade do Conhecimento, USP

Com essa intenção, nasceu o projeto Curta na Escola e seu desdobramento, a Coleção Curta na Escola, promovendo a interação, o debate, o registro e a construção contínua e colaborativa de conhecimento sobre a utilização dos curtas-metragens brasileiros na educação.

Curta na no twitter => @CurtanaEscola

http://www.curtanaescola.org.br/

terça-feira, 25 de maio de 2010

Uma menina de fibra!

Certa vez, uma repórter que trabalha comigo e é uma grande amiga, a Kátia Brasil, descobriu uma história ‘inacreditível’ no meio da Amazônia: duas irmãs ‘malacabadas’ totais, ao ponto de viverem sobre uma cama, sem falar, andar, bibi e bobó Beijo, que, aos 24 anos, voltaram a interagir com o mundo, de forma completa.

Isso porque um médico conheceu o caso delas e soube como resolvê-lo, com medicamento e tratamento corretos. Para ler saber mais, clica no bozo. Brincalhão

Às vezes, muita gente fica se lascando na vida porque num conseguiu trombar com uma boa alma que soubesse dar um caminho para se safar da “Matrix” ou mesmo melhorar sua condição de vida. Informação, então, vale mais do que um saco cheinho de ‘abobra’, né, não?! Legal

A história de hoje, é um pouco nesta linha... uma guriazinha que sofreu mais do que adestrador de elefante Rindo a toa, ao ponto de se quebrar todinha, até que um médico conseguiu acertar seu diagnóstico e ela pode ter uma melhora importante no dia a dia.

Além de conseguir evoluir sua própria condição, Verônica Stasiak, 23, aprumou as ideias e hoje tenta empurrar para a frente o povo que tem o mesmo abatimento da guerra que ela Muito feliz. Então, bora ‘nóistudo’ multiplicar informações, bora aprender um pouco com essa menina de muita fibra!

Sorte

Minha mãe me deu um beijo quando eu era pequena e viu que eu era “salgadinha”... Tempero próprio? Não, não... É a “doença do Beijo Salgado”, também conhecida como Fibrose Cística ou “Mucoviscidose”, de origem genética.

Mas ela, além de “Mãe Maravilhosa”, é Pedagoga, e não médica. Passou longe de saber que isso era grave demais... Mesmo eu tendo incontáveis pneumonias graves durante meus 23 anos de idade, mesmo tendo tirado duas partes do pulmão, a vesícula, entre outras perebas absurdas que tive, nenhum médico suspeitou da tal Fibrose Cística... Diaxo!!!

Essa doença afeta o sistema digestório, o respiratório e o produtor. A Fibrose Cística torna toda secreção do organismo grossa, pegajosa, dificultando a saída delas (Nota do tio: ieeeca Muito triste). Essa meleca dura no pulmão vira infecção, a enzima não sai do pâncreas e a gente não consegue sozinho digerir os alimentos, não conseguimos absorver direito às gorduras necessárias para ficarmos fortinhos e nem crescemos direito.



Dá pra diagnosticar cedo, no TESTE DO PEZINHO! E aí, é correr pro abraço, porque o tratamento é ótimo e se for bem feito garante uma boa qualidade de vida para o paciente e quem sabe uma sobrevida maior. Porém, só cinco Estados do Brasil fazem o teste ampliado pelo SUS, nos demais, a mamãe precisa pedir ou buscar ajuda aos primeiros sintomas.

Não tive essa sorte aí de diagnosticar cedo, e nem tive a sorte do meu ex-médico conhecer e querer investigar. Eu tinha TODOS os sintomas, só faltava escrever na testa “Ela tem Fibrose Cística e é mais salgada do que picanha de churrascaria”. Muito triste Mas... Todo mundo um dia descobre um herói em sua vida, sempre um anjo aparece no meio do caminho...

O meu herói apareceu em Outubro de 2009, depois de ter ficado quase 60 dias respirando por aparelho com umas pneumonias absurdas (foram cerca de 20 até agora), depois de mais uma semana internada com pancreatite que rendeu um comprometimento de parte do pâncreas e, lógico, depois de alguns “olés” que dei na Dona Morte!



Esse médico “somou” todas as minhas perebas da vida, deu uma lambida na minha testa Língua de fora e viu que eu era salgada (brincadeeeirinha!!!), e pediu pra eu fazer o Teste de Dosagem de Cloreto no Suor... Fiz... O valor de referência era 60. Meu resultado deu 199! Alguma dúvida? Nenhuma!

A partir daí me tornei de fato uma “Pessoa de Fibra”, uma Wolverine versão feminina!!! Inocente. Amo saber o que tenho, pois agora me trato certo e minha vida melhorou muito!!! Mas para isso: fisioterapia, atividades físicas, inalações com medicação específica, reposição de vitaminas, alimentação hipercalórica.. aff.. e mais um monte de “coiserada”...

Pago caro por esse diagnóstico tardio, já tenho probleminhas nos ossos, coisa de gente mais ‘véia’ (osteopenia, devido a doses e doses de corticóide ao longo da vida) Convencido, que me rendeu uma fratura no cóccis (aquele ossinho no comecinho do... rego Rindo a toa), em 2005, outra fatura na cabeça do fêmur direito, e em março de 2010, uma fratura máster, super bem-feita, qualidade Hollywood, no fêmur esquerdo. Justamente por causa dela estou ‘matrixiana’ temporária, e fazendo uns “barracos da cidade” pela falta de acessibilidade e ajudando no projeto de dominar o mundo...



Acordo todos os dias, assim como o tio Jairo, querendo dominar o mundo! Na verdade, acordo e durmo pensando em quantas pessoas podem ter Fibrose Cística e estão sofrendo pela falta de diagnóstico assim como eu sofri.

Mas, todo esse sufoco ao longo da vida, não me impediu de fazer faculdade de psicologia, aqui no Paraná, onde moro, me formar, entrar numa multinacional e, agora, me preparando para clinicar!



Pesquisas dizem que 1 a cada 10.000 nascidos vivos no Brasil tem ‘o trem’ aborrecido... Mas temos mais ou menos 3.000 pessoas cadastradas nas associações do Brasil. Tem uma Galera de Fibra perdida por ai!!! Para tentar ajudar essa turma, fundei o Grupo de Familiares, Amigos e Portadores de Fibrose Cística, Unidos pela Vida, que tem como principal objetivo divulgar a doença na sociedade brasileira, contribuindo para a busca de diagnóstico e tratamentos adequados.

É uma hipocrisia gigante dizer que o medo não existe. Ele existe sim e é bem forte. Mas, como diz o ditado, para morrer basta estar vivo! Então não há o que temer. Não é uma doença grave e um cálculo de sobrevida mediana de 35 anos que irá me tirar as forças que cultivo com tanto amor e carinho. Esta força me leva a crer que a vida é agora e traduz-se no minuto que estou aproveitando da maneira que escolhi, com bastante responsabilidade.




Peguei este limão azedo, espremi com muita força, fé e coragem, e fiz uma bela limonada doce! Em vez de medo, crio forças diariamente. No lugar de desespero constante, uma esperança que se renova a cada segundo.

Não me isolei, encontrei conforto no colo da minha família e dos meus amigos. Em vez de fuga, um humilde projeto que tem como principal objetivo ajudar, ajudar e ajudar, fundamentado na crença de que o amor só existe quando saímos de nós e vamos ao encontro do outro para fazê-lo feliz.

* Fotos do arquivo pessoal de Verônica Stasiak

Escrito por Jairo Marques?s

Fonte Blog da Folha

domingo, 23 de maio de 2010

THE ANIMATOR 2008 (Vencedor 2008)


Este filme foi ganhador do anima-mundi 2008.De uma forma bem humorada conta a historia de como surgiu o primeiro homem e a primeira mulher na terra,como está escrito na Biblia Sagrada

Theatro Municipal do Rio de Janeiro será reinaugurado depois de obras


Passagem secreta, pintura escondida e desenhos apagados foram revelados pela reforma, que durou dois anos. Sala de espetáculos será reaberta na próxima quinta-feira 27/05/2010.

A Revolução de Maio de 1810

O ano de 1810 foi um marco na história da libertação dos povos ocidentais. Aproveitando-se da situação dramática da metrópole espanhola ter sido invadida pelas forças de Napoleão Bonaparte, a partir de maio daquele ano surgiram inúmeras juntas governativas nas principais cidades dos vice-reinos da Ibero - américa, de Buenos Aires à cidade do México, proclamando sua independência.

Baltasar Hidalgo de Cisneros de la Torre

O último vice-rei

“Se os povos não se ilustram, se não vulgarizam seus direitos, se cada homem não conhece o que vale e o que pode e o que se lhe deve, novas ilusões sucederão as antigas...’

Mariano Moreno- 1810.


Quando o vice-rei do Prata Baltazar Hidalgo de Cisneros desembarcou no trapiche de Buenos Aires, no ano de 1809, saltou em meio a um vespeiro. Ainda que os portenhos o acolhessem bem, a cidade inquieta acompanhava tensa o que ocorria na metrópole. A Espanha estava ocupada pelas tropas de Napoleão e somente a região da Andaluzia ainda resistia ao invasor. Mais um tanto, e o que restava da autoridade espanhola - o Conselho da Regência - reduzia-se à cidade de Cádiz e a uma pequena ilha de Léon. Por tudo predominava o caos e o horror que Goya denunciou.


Cabildo aberto de Buenos Aires (tela de Pedro Subercaseaux)

O trono de Madri estava ocupado por José I, irmão de Napoleão, enquanto Fernando VII, herdeiro legítimo dos Bourbon, cativo do francês, conclama os súditos a se rebelarem contra o usurpador. Além disto, a princesa Carlota Joaquina, esposa de Dom João VI exilada no Rio de Janeiro, e irmã de Fernando, igualmente reivindicava a soberania sobre o vice-reino.


Na beira do rio da Prata acirravam-se as desavenças entre espanhóis e crioulos e entre republicanos favoráveis à independência em disputa contra monárquicos fiéis ao velho manto ibérico, e também entre mercantilistas e livre-cambistas. Tudo estava prestes a explodir.

O grande império


O império espanhol das Índias era um colosso: sua cabeça estava sob sol a pino seus pés quase no pólo sul. Do deserto do Colorado ao norte, seu poder estendia-se por mais de dez mil quilômetros até a Terra do Fogo, no extremo sul, próximo à Antártida. Era duas vezes maior do que o antigo império romano e fora construído sobre as ruínas dos grandes impérios indígenas da América pré-colombiana: o asteca, o maia e o inca. Agora era a vez dele vir abaixo.


A coroa real disputada entre bonapartistas e bourbons numa Espanha em frangalhos estimulou a que os povos coloniais almejassem sua independência. Cisneros foi o ultimo dos representantes daquela imensa máquina burocrática ibérica que por três séculos controlava tudo deste lado de cá do Atlântico. Desterram-no em 25 de maio de 1810


Um novo contrato


Mariano Moreno, um patriota argentino tradutor de Rousseau ( falecido precocemente aos 32 anos em seguida a ter aberto a primeira biblioteca do país), secretário da Primeira Junta presidida por Cornélio Saavedra, concluíra que rompido o contrato colonial (das colônias com a Metrópole) estabelecia-se no seu lugar um contrato social no qual o povo local, rejeitando qualquer soberania sobre si, assumia-se como autônomo senhor do seu próprio destino.


Todavia, se a ascensão dos criolos portenhos ao poder não foi traumática, se a Revolução de Maio não derramou sangue de imediato, os tempos seguintes seriam terríveis. Durante ainda mais 15 anos, patriotas (San Martin, Simon Bolívar, Gervásio Artigas, Bernardo O´Higgins, Antonio Sucre, etc.) e realistas (a mando de Fernando VII) se enfrentaram pelo império inteiro em combates memoráveis (Chacabuco, Maipu, Boyacá, Carabobo, Ayacucho) até que a Espanha exausta teve que concordar com a independência das suas ex-colônias. Foi uma das maiores revoluções políticas do Ocidente e precursora da libertação dos povos colonizados do Terceiro Mundo.


Bibliografia


Bethel, Leslie (org.) – História da América Latina: da independência até 1870. Vol. III.São Paulo. EDUSP. 2001.

Busaniche, José Luis – Historia Argentina. Buenos Aires: Solar-Hachette, 1975.

Feimann, José Pablo – Filosofia y Nación. Estúdios sobre el pensamiento argentino. Buenos Aires: Ariel, 1996.
Floria, Carlos Alberto – Belsunce, César A. Garcia – Historia de los argentinos. Buenos Aires: Ediciones Larousse Argentina, 1992. 2 v.

Pigna, Filipe – 1810 – La outra historia de nuestra revolucion fundadora. Buenos Aires: Planeta, 2009.

Ramos, José Abelardo – Lãs masas y las lanzas [1810-1862]. Buenos Aires. Editorial Plus Ultra, 1973.

Vives, J.Vicent (Dir.)– Historia Social y Económica de España y America. Vol. V- Los siglos XIX e XX. America Independiente. Barcelona: Editorial Vicent Vives, 1974.

fonte: Terra


sábado, 22 de maio de 2010

História do rock de Brasília chega às telas

Vladimir Carvalho, 75 anos, estava lá quando tudo começou e agora vai levar essa história ao cinema


BRASÍLIA - Manhã de sábado em Brasília. O cineasta paraibano Vladimir Carvalho, 75 anos, flana pelas cercanias do desértico setor de Rádio e Televisão, no centro da capital do País. Lugar hoje bem mais pacífico do que há duas décadas, quando as nuvens da ditadura estacionavam por ali. Vladimir fala sobre o seu novo longa-metragem, o documentário Rock Brasília, Ninguém Segura Essa Utopia.

Em 1988, Vladimir, à época catedrático da Universidade de Brasília (UnB), surpreendeu-se com a febre que assaltava a juventude daquela cidade. Teve então a ideia de filmar a cena roqueira do Distrito Federal. Em 80 minutos, Rock Brasília captura a insurgência de três das fundamentais bandas ‘candangas’ surgidas ali: Legião Urbana, Plebe Rude e Capital Inicial, das quais possui íntimo e valioso arquivo contendo oito horas de imagens nunca antes exibidas. "O filme costura largamente a história do rock brasiliense. Dos derradeiros resquícios de ditadura à democrática virada", diz Carvalho. É documento para a posteridade dos 50 anos do Distrito Federal. Sua estreia será na 43.ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, em novembro.

Os jovens universitários de classe média, alcunhados sob a nomenclatura de ‘Turma da Colina’ (ou ‘Geração Coca-Cola’), alojavam-se nos prédios-dormitórios da UnB. Destes, muitos atraíram popularidade e fanatismo. Vladimir conta que, há 22 anos, havia um exército de 200 bandas alistadas pela cidade. Porém, não se sabe onde nem como viabilizavam espaços para tantos shows ou se havia público para tal. É dessa leva que surge o ‘trovador solitário’ Renato Manfredini Júnior, Renato Russo.

O documentário trará outros personagens da cena, como Phillipe Seabra, da Plebe Rude, e Dinho Ouro Preto, do Capital Inicial, flagrados em momentos cruciais de suas carreiras. As cenas de shows capturadas por Vladimir, às quais o Estado assistiu com exclusividade, são impressionantes. Uma delas mostra o pandemônio no qual se converteu o show da Legião Urbana no Estádio Mané Garrincha. No dia 18 de junho de 1988, fazia um ano que a banda não pisava na cidade. Antes de enfrentar a desvairada turba de 50 mil pessoas, Renato Russo - no auge de seu messianismo involuntário - concedeu a Carvalho uma entrevista que está no longa.

Altamont. Outra imagem mais nonsense é a filmagem do pomposo casamento de Philippe Seabra, líder da Plebe Rude. "O documentário foca no mais genuíno produto da cultura brasiliense. Ou seja: o rock", defende o diretor.

O Estádio Mané Garrincha foi o cenário em que centenas de fãs se digladiaram durante o fatídico concerto da Legião Urbana ‘não ocorrido’, no dia 18 de junho de 1988. Nessa noite, a turba de 50 mil pessoas fez Brasília viver seu dia de Altamont. Cerca de um ano e meio após a última passagem da Legião pela cidade natal, ninguém queria perder a volta de Renato Russo. "Eram milhares dispostos a sangrar em nome do ‘salvador’", lembra o editor do magazine franco-brasileiro Brasuca, o brasiliense Daniel Cariello. "A Legião era amada tal qual os Beatles em Liverpool", compara.

Um fanático conseguiu invadir o palco e enlaçar Renato Russo na metade da música Conexão Amazônica. Está tudo filmado. "Renato xingou a plateia e a plateia devolveu. Clima de guerra civil", diz a testemunha ocular, que tinha 14 anos à época. O guitarrista e um dos fundadores da Legião, Dado Villa-Lobos, não comenta o episódio. "Para não macular a biografia da Legião Urbana", diz.

Outro lance polêmico do rock federal envolveu a novata Plebe Rude e a Legião num festival em Patos de Minas (MG), em 1981. Ao final das apresentações todos foram para o xilindró. Alegação: teor contestatório das composições. No show, a Plebe tocou Voto em Branco e a Legião atacou de Música Urbana 2. Foram soltos após a polícia ser informada que todos ali eram rebentos de políticos e diplomatas da capital do Brasil. O fundador da banda, Phillipe Seabra, que também é consultor do filme, conta que esta seria a primeira vez que a Plebe tocaria fora do Distrito Federal. "O Renato viu na oportunidade a première de sua nova banda e resolveu nos chamar", pontua Seabra, elemento que vinha sendo sondado para ser o guitarrista da Legião.

A equipe de Vladimir vai agora retornar a Patos de Minas com a banda para recontar a história. "Seria a oportunidade de fazermos as pazes com a cidade", afirma Seabra, que chama o acontecimento de "a maior operação policial da história de Patos de Minas desde que a comitiva de Getúlio Vargas passou por lá a caminho de Barbacena."

Eduardo e Mônica. Outro ‘causo’ a ser retratado é sobre as lendas por trás do hino de amor que embalou uma geração, Eduardo e Mônica. O artista circense Marcelo Behr é um dos Eduardos nos quais Renato buscou inspiração. A canção baseia-se em três Eduardos e três Mônicas diferentes. "Renato tinha bloquinhos nos quais anotava tudo para depois editar", revela Behr.

Sempre que via um casal que dava certo, segundo o amigo, o cantor regozijava-se. Mesmo se não fosse com ele. Os traços da personalidade do amigo estão em estrofes como "e ele jogava futebol de botão com seu avô". O camelinho citado na canção, na verdade, é a bicicleta que ainda hoje Behr pedala no Parque da Cidade, igualmente referendado na composição. Marcelo, entretanto, afirma que Russo inspirou-se totalmente nele para compor Acrilic on Canvas, escrita na casa de Behr: "Conversávamos muito sobre história da arte, pontos de fuga, Renascença, perspectiva. Ele me perguntava a respeito dos pigmentos e misturas das tintas e assim nasceu a música", relembra.

A artista plástica Leo Coimbra era amiga íntima de Renato e foi uma das musas inspiradoras de Mônica. Leo nunca estudou Medicina, como diz a letra. Mas, por conta de suas vaciladas no manuseio dos pincéis, estava sempre "com tinta nos cabelos." Os dois eram bons amigos e passavam até cinco horas falando ao telefone.

"Grande parte dos momentos mais especiais passei ao lado dele", conta Leo. Enquanto a movimentação rocker se desenrolava, Leo, com 20 e poucos anos à época, cuidava de dois filhos pequenos e fazia traduções para um jornal da cidade. "Não participei e não influí nele. Claro que frequentando a nossa casa, Renato escreveu algumas letras lá e fomos, durante certo tempo, um bom e fraternal refúgio para ele." Algo que se pode vislumbrar além da suposta musa. Saudosa, a pintora fala do amigo com saudade: "Na minha casa ele era pessoa da família. Nem já famoso deixava de me acompanhar à escola de meus filhos. Tinha, claro, que dar muitos autógrafos no caminho. Nossa convivência era bem tranquila. Durante a temporada em que morei em Washington, passei a escrever para ele com frequência. Mas o Renato preferia me telefonar."


Cristiano Bastos no Estado de São Paulo

terça-feira, 11 de maio de 2010

São muitas as saúvas do Brasil


Neste ano eleitoral, vivemos um Fla x Flu maluco: "Eu sou de esquerda, você é de direita! Eu sou socialista, você é neoliberal."

Acontece que nossa vida social é movida por outras categorias, muito além dessa dualidade. Temos de tudo. Há paranoicos, esquizofrênicos, psicopatas, narcisistas (vejam o Lula em lua de mel consigo mesmo...) e, descendo mais de nível, temos os imbecis em geral e um vasto catálogo de vícios. Vamos começar pelos caretas.

A caretice é uma visão de mundo que passa despercebida, mas é raiz de terríveis males. O careta é antes de tudo um forte. Está sempre atrás de certezas, ou melhor, já chega com elas. Olha o mundo com um olho só e só vê o que já sabia. A diversidade da vida é recusada como um desvio, a dúvida, como fraqueza. O careta tem sempre um sorriso pronto ou uma cara fechada, dependendo se é do tipo "careta legal" ou "careta severo". Sua cara é uma careta - daí, o nome -, uma máscara fixa que denota uma ideia só na mente. A caretice não é uma posição política; é um sistema operacional. Ele finge aceitar as diferenças, mas não vê o "outro". O chamado "outro" é um mal inevitável que ele tem de suportar para controlá-lo, para que ele não o inquiete com surpresas. Careta odeia novidades. O careta é linear - tem princípio, meio e fim.

O careta tende mais para o que se chamava de "direita": só ele existe, com suas ideias indiscutíveis. Há muitos caretas de "esquerda" que só querem uma sociedade sob controle, pois só eles sabem o que é bom para nós, os alienados. Existe até o careta drogado, o bicho grilo chamado "muito louco". Como disse um amigo meu: "Pior que careta só o "muito louco""...

Temos também a categoria da burrice que, como dizia Nelson Rodrigues, é uma "força da natureza". Antigamente, os cretinos se escondiam pelos cantos, roídos de vergonha; hoje, eles andam de fronte alta e peito estufado. Nunca a burrice fez tanto sucesso. Há no mundo da política e da vida social a restauração alegre da estupidez. Lá fora, Forrest Gump, o herói idiota foi o precursor; Bush foi seu efeito, como outros hoje em dia: há o Chávez, há aquele ratinho do Irã que o Lula vai visitar... tantos. Bush se orgulhava de sua burrice. Uma vez em Yale, ele disse: "Eu sou a prova de que os maus estudantes podem ser presidentes dos USA." E nosso Lula não se gaba de não ter lido nada? Inteligência é chato; traz angústia, com seus labirintos. Inteligência nos desampara; burrice consola.

A burrice está na raiz do populismo. Para muitos, a burrice é a moradia da verdade, como se houvesse algo de "sagrado" na ignorância dos pobres, uma sabedoria que pode desmascarar a mentira "de elite". Só os pobres de espírito verão a Deus - reza a tradição. A burrice dá mais ibope, é mais fácil de entender. A burrice é a ignorância com fome de sentido. O problema é que a burrice no poder chama-se "fascismo".

Outra saúva que nos ataca é a incompetência. Existe muito mais na chamada "esquerda" que entre os velhos "neoliberais". Os "ideológicos" vivem de ideias "puras". Nada mais chato para eles do que a realidade, apesar de falarem nela o tempo todo. A realidade brasileira para eles é um delírio, com meia dúzia de "contradições" óbvias. Antigamente, era latifúndio, burguesia nacional e imperialismo. Agora é a tentativa de tomar o Estado por dentro da democracia. Eles dizem que a competência é um tecnicismo que pode ser usada para mascarar "táticas demoníacas" do capitalismo.

Outro vício que nos rói é a liberdade. Sim... Não a "boa", mas a liberdade como fetiche, vulgar produto de mercado. É a democracia vivida como zona: êxtases volúveis de clubbers, celebridades saltitantes de "liberdade" dentro de um chiqueirinho de irrelevâncias, a vida vivida como um "reality show" esquemático, buscando ideais como bundas querendo subir na vida, próteses de silicone na alma, o sucesso sem trabalho, o marketing sexual, a troca do mérito pela fama. A arrogância individualista das celebridades é uma das saúvas do País.

Outro vício nacional além da esquerda e direita é a política do espetáculo. Guy Debord (A Sociedade do Espetáculo) cita Feurbach:

"Nosso tempo prefere a imagem à coisa, a cópia ao original, a representação à realidade, a aparência ao ser." Debord: "O espetáculo não quer chegar a outra coisa senão a si mesmo (...) onde o mentiroso mente a si próprio. O espetáculo é inseparável do Estado moderno." (Estão reconhecendo alguém?) No Brasil, a política do espetáculo foi descoberta por Jânio Quadros. Lula é um bom aluno.

Outro vício é o "passadismo rancoroso"; mais praticado pela "esquerda" burra, a República é tratada no passado. Vivem a nostalgia de torturas, heranças malditas, ossadas do Araguaia e nenhum projeto claro para nosso futuro. Há um passadismo regressista, regado pela vingança de fracassos coletivos e individuais, como se a vida social de hoje fosse a decadência de um passado que estaria no rumo certo. Há uma fome de marcha à ré nacionalista, terceiro-mundista, de voltar para a "taba" ou para o casebre com farinha, paçoca e violinha.

Também adoram condenar injustiças que já houve... Esse vício emprenha "coisas muito nossas", como a falta de imaginação política para o futuro, a retórica das impossibilidades, a vida pública em câmera lenta, onde a única coisa que acontece é que não acontece nada.

Mas, há mais... há mais... Temos os egoístas, os psicopatas (muito em moda...), os ladrões compulsivos, os "fracassomaníacos", temos as imensas multidões dos "babacas" (oh... serei um deles?..), comandados pelos boçais, cafajestes, oportunistas, ladrões de todas as cores.

De modo que não podemos nos contentar com a velha dualidade "direita/esquerda"; o mundo é muito mais vasto, oh "Raimundos" e vagabundos!...

E mais: principalmente no Brasil, não podemos esquecer os batalhões que crescem a cada dia, os exércitos invencíveis: a brilhante plêiade dos "F.D.Ps".

fonte: O Estado de São Paulo

domingo, 9 de maio de 2010

Acolchoado por VERISSIMO

Nem te conto...

- O quê?

(O casal estava no carro, voltando de uma festa na casa de amigos. Marjori e Mário Luiz, idade entre 35 e 40, classe B, B e meio, por aí.)

- Eu fui no banheiro...

- Eu vi.

- Você viu? Você passa o tempo todo me cuidando, Mário Luiz?

- Não, Marjori. Você tinha bebido e eu achei que você estivesse passando mal.

- Eu quase não bebi e não estava passando mal. Fui fazer xixi.

- Está bem, está bem. O que você ia contar?

- Eu estava perfeitamente sóbria. Aliás, acho que era a única pessoa sóbria na festa.

- Está certo! Agora conta.

- Você sabe que o assento da privada no lavabo da Celinha é acolchoado?

- Acolchoado?

- E não só isso. O acolchoado é zebrado.

- Como, zebrado?

- Zebrado! O tecido que cobre o acolchoado tem um padrão de zebra. Preto e branco.

- E daí?

- Como "e daí", Mário Luiz? O que é que isso te diz?

- Não me diz nada. Acho até bem bolado. Não há razão pra gente não ficar confortável quando...

- Mário Luiz! Era no lavabo. Se fosse no banheiro da suíte deles, vá lá. Não me interessa o que a Celinha e o Germano têm no banheiro deles. Mas isto era no lavabo, no banheiro das visitas. A Celinha estava fazendo uma declaração pública. Aquilo é uma mensagem ostensiva da Celinha para quem vai na casa dela.

- Então: uma gentileza dela pras visitas. Pro bumbum das visitas.

- Você não acha um acinte? Quase uma provocação?

- Por que?

- Francamente, Mário Luiz. Eu me lembro quando você ficou indignado com o cortador de cabelinho do nariz que a Flávia trouxe da Europa pro Mingão.

- O cortador de cabelinho do nariz era de ouro. O assento da privada é de quê? Espuma? No máximo de espuma.

- E o simbolismo da coisa?

- Simbolismo de quê? Da decadência do Ocidente? Do ponto em que chegou a alienação da elite brasileira? E você não pensou que podia ser kitsch de propósito?

- O que é kitsch de propósito?

- É quando alguém faz alguma coisa como forrar o assento da privada com um acolchoado zebrado sabendo que é kitsch e esperando que os outros entendam que o kitsch é de propósito, e achem graça. Você simplesmente não entendeu o assento da privada da Celinha, Marjori.

- Como você mudou, hein Mário Luiz.

- Eu mudei?

- E pensar que nós nos conhecemos num congresso de estudantes em Cuba.

- Marjori...

- Francamente, Mário Luiz!

fonte; Estadão.com.br