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domingo, 16 de junho de 2013

Linda homenagem do Jornalista José Augusto Ribeiro a Guilhobel Camargo meu Pai, falecido em 08/01/2006



Linda homenagem do Jornalista José Augusto Ribeiro a Guilhobel Camargo meu Pai, falecido em 08/01/2006


" Homenagem a Guilhobel Camargo

Caros amigos da Rede PDT:

Fiquei sabendo, pela Rede PDT, da morte de meu querido amigo Guilhobel Camargo, e quero acrescentar algumas palavras àquelas com que nos despedimos dele.

Trabalhamos juntos, Guilhobel, Geraldo Moretzsohn, Jairo Régis, Tato Taborda, Osíres de Brito, Júlio Xavier Vianna e eu mesmo, na assesoria de Amaury Silva, Ministro do Trabalho do Presidente João Goulart de julho de 1963 até o golpe de 1o. De abril de 1964 e a deposição do Presidente.  
Havia outros paranaenses no governo João Goulart, como o Senador Nelson Maculan e Léo de Almeida Neves.  
Nenhum, porém, era tão próximo de Amaury Silva - que o ex-Presidente Juscelino queria como seu Vice na chapa com a qual pretendia voltar ao governo em 1965 - nenhum era tão próximo quanto Guilhobel Camargo.  
Amaury, querido e respeitado por todo mundo, por sua serenidade e inteligência, sacrificou o próprio futuro - e o mandato de senador que de outro modo não seria cassado - ao aceitar o pedido do Presidente Jango para negociar com os marinheiros e fuzileiros rebelados na Semana Santa de 1964.  
Jango fez esse pedido, quando todas as autoridades militares cobravam-lhe o enquadramento disciplinar dos marinheiros e fuzileiros, porque Amaury realizara, no papel de Ministro do Trabalho, verdadeiros milagres de entendimento.  
Amaury sabia que atender a esse pedido equivalia a colocar o próprio pescoço no cepo da guilhotina. Mas não teve um segundo de hesitação. Foi para a guilhotina, sabendo que seria decapitado, com duas companhias - a de sua límpida, serena e destemida consciência; e a de Guilhobel Camargo.  
Em outros tempos, com outros personagens, Guilhobel tornar-se-ia um homem poderoso e rico. Não ele, nem ninguém com Amaury Silva.  
No momento do golpe, Amaury viajou com Jango até Montevidéu. Poderia ter ficado lá, no conforto do exílio, mas resolveu voltar a Brasília e reassumiu, quixotescamente, o mandato de Senador, com Guilhobel a seu lado.  
Cassado, em seguida, e perseguido - porque não lhe perdoavam a tentativa, a pedido de Jango, de entendimento com os marinheiros e fuzileiros rebelados - Amaury teve de procurar asilo numa embaixada. E em Brasília só funcionava a da Iugoslávia, que o acolheu, assim como já acolhera muitos outros brasileiros. Para lá ele foi, e Guilhobel com ele.  
Dessa embaixada, Amaury só conseguiria salvo-conduto para Belgrado, a capital da Iugoslávia, nos Bálcans. Aí alguns amigos, entre os quais, é claro, o Guilhobel, inventaram sua fuga da embaixada, e uma sucessão de voos maluca, com escala na região de Cascavel, no Paraná, onde ele foi recebido com faixas de boas-vindas atribuídas ao deputado Luís Alberto Dalcanale, e de onde seguiu para o Paraguai e daí para o Uruguai.  
É claro que o maior maluco e quem mais se expôs nessa operação era o Guilhobel.  
Amaury, chegando ao Uruguai, ficaria soldado a Jango, que pelos anos seguintes não o deixou sair de perto.  
Quando os amigos inventavam de trazer Amaury de volta ao Brasil – e Guilhobel estava sempre metido nessas histórias, se é que não as tinha iniciado - Jango reagia, dizendo:  
- Amaury, tenho aqui, a meu lado, a loucura de Darcy Ribeiro. Preciso de você e de sua sensatez, do outro lado, para não fazer bobagem.  
Guilhobel, nessa época, conseguiu trabalho como gerente de um restaurante em Angra dos Reis. Vinha ao Rio, duas ou três vezes por mês, sempre à noite, para comprar peixe, de madrugada, no mercado de pescadores da Praça Quinze.  
Como eu trabalhava à noite, na redação do Globo, ele me telefonava e nos encontrávamos para jantar. De madrugada, ele se despedia para buscar seus peixes na Praça Quinze.  
Pergunto-me hoje se eram só peixes para o restaurante ou se Guilhobel, que fora marinheiro, mantinha armado algum esquema de barcos pesqueiros para trazer Amaury Silva de contrabando, de volta ao Brasil.  
Como não perguntei na época, agora não tenho como perguntar. Mas fico pensando se entre os sonhos secretos desse maravilhoso e quixotesco Guilhobel não figuraria também essa aventura, que, infelizmente, acabou por não ser necessária.  
É com essa lembrança que me despeço desse querido e maravilhoso amigo. Não porém sem lembrar que antes de Jango e da passagem de Amaury Silva pelo Ministério do Trabalho, havia no Brasil menos de cem sindicatos de trabalhadore rurais. Depois de Jango, de Amaury e de Guilhobel, esse número subiu para mais de mil e quinhentos. O que explica tanta perseguição.  
Até logo, Guilhobel, até o próximo peixe que você vai trazer de Angra...

Seu velho amigo e companheiro, com enorme saudade,

José Augusto Ribeiro "


domingo, 26 de maio de 2013

Martha Medeiros - A mesa da cozinha




A mesa da cozinha  por Martha Medeiros


A mesa da cozinha é o local sagrado das conversas durante a madrugada, quando os irmãos chegam da balada com fissura por um gole de Coca-Cola e com histórias saindo pela boca: com quem ficaram ou não ficaram, o trajeto que fizeram para driblar a blitz, o preço da cerveja, e aí as amenidades evoluem para a filosofia, a necessidade de extrair da vida uma essência, a tentativa de escapar da insignificância, até que o dia começa a clarear e o cansaço avisa que é hora de ir para a cama.

Para alguns casais, a mesa da cozinha já serviu de cama, aliás.

A mesa da cozinha ouviu confissões de amigas que juraram guardar segredo, mas não conseguiram. O amante, a traição, a culpa, o nunca mais. A mesa escuta e não espalha, reconhece a inocência das fraquezas alheias e se sente honrada por ser confidente de tantas vidas.

A mesa da cozinha escutou o que os convidados não comentaram na sala, viu estranhos abrirem a geladeira atrás de algo mais substancial que canapés, suportou o peso de quem resolveu sentar sobre ela para fumar um cigarro antes de voltar para o burburinho da festa.

A mesa da cozinha já foi cenário de toda espécie de solidão.

Mas também de encontros. Viu o casal de namorados preparar, sem receita, seu primeiro salmão ao molho de maracujá, viu o menino nervoso abrir sua primeira garrafa de vinho para uma menina não menos nervosa, viu um beijo secreto entre primos cuja família comemorava o Natal em torno da árvore, viu o marido se declarar comovidamente para a esposa viciada em grifes, ao surpreendê-la com um simples avental amarrado em torno da cintura.

A mesa da cozinha viu a mãe esquentar a primeira mamadeira às três da manhã, com cara de sono e felicidade. E o pai da criança, a caminho da área de serviço, segurando uma fralda suja com expressão de nojo, mas também de orgulho.

A mesa da cozinha viu a funcionária sentar num banquinho e, durante uma trégua entre um suflê e um pavê exigido pela patroa, acariciar sua primeira carteira de trabalho.

A mesa da cozinha viu o cachorro xeretar a lata de lixo e o gato lamber os restos que sobraram da louça do jantar.

A mesa da cozinha viu a dona da casa tentar escrever um diário, coisas que ela sente e que não tem com quem dividir, a não ser com a luz amarelada do abajur do canto.

A mesa da cozinha absorveu lágrimas que foram secadas com o pano de prato, tantas e tão sentidas. A mesa da cozinha possui manchas que contam histórias. A mesa da cozinha tem um pé frouxo que ninguém se lembra de aparafusar. A mesa da cozinha já amparou carteados, velas acesas em dia de temporal, cinzeiros abarrotados, a roupa passada e dobrada antes de ir para as gavetas.
A mesa da cozinha viu tudo.

MARTHA MEDEIROS

marthamedeiros@terra.com.br

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Somos Todos Diferentes - Filme Completo


O filme conta a história de uma criança que sofre com dislexia e custa a ser compreendida. Ishaan Awasthi, de 9 anos, já repetiu uma vez o terceiro período (no sistema educacional indiano) e corre o risco de repetir de novo. As letras dançam em sua frente, como diz, e não consegue acompanhar as aulas nem focar sua atenção. 

Seu pai acredita apenas na hipótese de falta de disciplina e trata Ishaan com muita rudez e falta de sensibilidade. Após serem chamados na escola para falar com a diretora, o pai do garoto decide levá-lo a um internato, sem que a mãe possa dar opinião alguma. Tal atitude só faz regredir em Ishaan a vontade de aprender e de ser uma criança. Ele, visivelmente entra em depressão, sentindo falta da mãe, do irmão mais velho, da vida... e a filosofia do internato é a de disciplinar cavalos selvagens. 

Inesperadamente, um professor substituto de artes entra em cena e logo percebe que algo de errado estava pairando sobre Ishaan. Não demorou para que o diagnóstico de dislexia ficasse claro para ele, o que o leva a por em prática um ambicioso plano de resgatar aquele garoto que havia perdido sua réstia de luz e vontade de viver.


Assista no You Tube

domingo, 21 de abril de 2013

Carta Caminha, Pêro Vaz, trechos e leitura feita por André Gago




Uma leitura da Carta de Pêro Vaz de Caminha, que narra o achamento do Brasil, numa selecção de trechos e leitura feita por André Gago, acompanhado por Carlos Barretto no contrabaixo, com fotografias de Vitor Nogueira editadas e projectadas por Pedro Ramos. As imagens são da estreia do espectáculo, em 2010, no 2º Festival das Artes de Coimbra.

O Descobrimento do Brasil - Filme de Humberto Mauro (1936).


veja em tela inteira


Lista de reprodução "Espaço Cinéfilo", do canal YouTube CarlosAlbertoDidier.


"O Descobrimento do Brasil" é um filme brasileiro de Humberto Mauro, realizado em 1936 com trilha sonora de Heitor Vila-Lobos e agora em domínio público. 
Realizado na forma de documentário, narrado com textos extraídos da Carta de Pero Vaz de Caminha ao rei D. Manuel I, descreve a chegada da frota portuguesa às costas brasileiras, em 1500.
Para a cena da primeira missa no Brasil, Humberto Mauro tentou reproduzir fielmente o famoso quadro de Victor Meirelles.
"Descobrimento do Brasil" representou o Brasil no Festival de Veneza de 1938. 


Veja a ficha técnica de produção em:http://pt.wikipedia.org/wiki/Descobri...) .

HUMBERTO MAURO (Volta Grande, 30 de abril de 1897 - 5 de novembro de 1983) foi um dos pioneiros do cinema brasileiro. Fez filmes entre 1925 e 1974 sempre com temas brasileiros. (...) A convite de Edgar Roquette-Pinto, Mauro se junta ao Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE), onde por décadas realizou documentários sobre temas tão variados como astronomia, agricultura e música. 
Enquanto trabalhou no INCE , Mauro dirigiu apenas três longas metragens: "Descobrimento do Brasil" (1937), "Argila" (1940) e "Canto da Saudade" (1952), (...). Afastado do cinema desde 1974, quando fez o curta-metragem "Carro de Bois", passou a viver em seu sítio Rancho Alegre, em Volta Grande, onde morreu, aos 86 anos, quase que completamente cego, após uma forte pneumonia. (...) Apesar de não ter feito carreira internacional, devido às limitações da época, foi homenageado no Festival de Cannes como um dos cineastas mais importantes do século XX (...).http://pt.wikipedia.org/wiki/Humberto...

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Festa do Divino de Paraty agora é Patrimônio Cultural Brasileiro



O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou hoje (3) o registro da Festa do Divino Espírito Santo de Paraty, no Rio de Janeiro, como Patrimônio Cultural Brasileiro. A celebração é uma manifestação cultural e religiosa, de origem portuguesa. Em Paraty, é uma celebração que faz parte do cotidiano dos moradores.

Segundo a presidenta do Iphan, Jurema Machado, o registro de bens imateriais tem características diferentes do tombamento. “As manifestações culturais  mudam ao longo do tempo e isso não significa que elas percam o valor. O registro não significa uma tentativa de mantê-las intactas, mas fazer com que elas continuem existindo”. O reconhecimento deve, segundo a presidenta, dar maior visibilidade à celebração. Acrescentou que o Iphan será um parceiro na busca de apoio material para a realização da celebração.
A Festa do Divino é realizada todos os anos. Inicia-se no domingo de Páscoa. As manifestações e rituais ocorrem ao longo da semana que antecede o Domingo de Pentecostes, considerado o principal dia da festa.
fonte:Agência Brasil

terça-feira, 2 de abril de 2013

Brasileiras em Lisboa promovem maior festival de cinema em português




Lisboa – Começa nesta quarta-feira (3) em Lisboa a quarta edição do Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa (Festin). Durante uma semana serão exibidos no tradicional Cinema São Jorge (Avenida Liberdade) cerca de 80 filmes produzidos em Angola, no Brasil, em Cabo Verde, na Guiné-Bissau, em Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe.
Este ano, haverá duas sessões competitivas (para filmes de longa e de curta-metragem de ficção), uma homenagem ao cinema de Angola, exibições da Mostra de Inclusão Social do Cinema Brasileiro, além do tributo ao Festival de Gramado. Junto com filmes de ficção, a programação inclui a  apresentação dedocumentários e animações.
Entre as atrações das sessões competitivas estão O Grande Kilapy - uma produção de Angola, do Brasil e de Portugal, com Lázaro Ramos; a nova versão de Bonitinhamas Ordinária (da peça de Nélson Rodrigues), com João Miguel e Leandra Leal;  o já premiado Colegas, a comédia sobre três jovens com síndrome de Down, apaixonados por cinema; e A Coleção Invisível, último filme de Walmor Chagas (que morreu em janeiro).
A realização do festival é iniciativa de duas jornalistas brasileiras residentes em Portugal - Léa Teixeira e Adriana Niemeyer. Segundo Adriana, o festival tem o propósito de estimular a aproximação dos países que falam o português e gerar um conhecimento mútuo “como existe na literatura”.
Conforme Léa Teixeira, antes do Festin “eram raras as exibições de filmes de língua portuguesa nas salas de cinema [em Portugal]. Principalmente dos brasileiros e africanos”. Adriana lembra que também entre os brasileiros era grande o desconhecimento do cinema dos demais países, inclusive de Portugal. “O Brasil olhava mais para a França e a Inglaterra”.
Para premiar os diretores dos filmes vencedores, as duas jornalistas fizeram uma campanha de arrecadação junto a pessoas físicas e empresas particulares (crowdfunding) para levantar 3 mil euros e pagar os prêmios ao melhor longa-metragem (2,5 mil euros) e melhor curta-metragem (500 euros). Noventa por cento dos recursos já estão arrecadados.
De acordo com Adriana Niemeyer, a realização do Ano do Brasil em Portugal dificultou o levantamento de recursos este ano. “Foi mais difícil, os patrocinadores estão muito divididos”, disse, ao assinalar o apoio da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), cuja sede é em Lisboa, e da missão brasileira (Ministério das Relações Exteriores) na própria CPLP.
Paralelamente ao Festin e dentro da programação do Ano do Brasil em Portugal,  a Fundação Nacional de Artes (Funarte) abre na próxima sexta-feira (5) o Cineclube do Espaço Brasil (no bairro de Alcântara, também em Lisboa) com programação de filmes nacionais, especialmente documentários sobre personalidades ligadas à música.
Neste ano, o Festin recebeu mais de 350 filmes para as mostras competitivas. O festival é o maior evento anual no exterior para exibição de filmes falados em português. Além do Festin, há o Festival do Cinema de Países de Língua Portuguesa (Cineport), organizado pela Fundação Ormeo Junqueira Botelho, cujas três últimas edições ocorreram em João Pessoa (PB).
Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), em Portugal há cerca de 670 mil sessões de filmes por ano. Apesar da crise econômica, o numero de sessões ficou estabilizado entre 2010 e 2011, depois de ter subido do patamar de 605 mil sessões (2007).
fonte: Gilberto Costa
Correspondente da Agência Brasil/EBC

sábado, 30 de março de 2013