Então

sábado, 30 de agosto de 2008

Festa da Boa Morte-Sincretismo e Música na religiosidade brasileira


Irmandade da Boa Morte é uma confraria católica de mulheres negras e mestiças que descendem e representam a ancestralidade dos povos africanos escravizados, e libertos, no Recôncavo da Bahia.

A atuação das primeiras Irmãs da Boa Morte teve significado político, social e, significativamente, religioso. Segundo Pierre Verger (1992), foi como organização advinda das mulheres adeptas à confraria de Nossa Senhora da Boa Morte que teria sido fundado no início do século XIX o primeiro Candomblé keto de Salvador. A partir de 1820, a Irmandade teria se expandido para a cidade de Cachoeira, local onde ainda hoje preserva seus rituais públicos e secretos.

"Foi uma promessa que os escravos fez na luta, no sofrimento, que eles alcançassem a liberdade que a morte seria desaparecida, porque a morte é o sofrimento e a vida é glória. E a glória é para sempre." (D. Estelita, Juíza Perpétua da Boa Morte)

A polêmica sobre o valor e o significado do sincretismo normalmente se apóia na idéia dominadora de uma religião sobre a outra, como é o caso do cristianismo europeu sobre negro africano, cultural e espiritualmente.



O Candomblé, como religião de ascendência africana, tem predominantemente características particulares de culto e reverência aos ancestrais negros (Orixás), mas nele existem também atribuições indígenas (Caboclos), assim como traz referências cristãs, importantes, senão fundamentais, para o entendimento do universo mítico das religiões brasileiras.

Os rituais da Boa Morte tem traços da religião materna peculiarmente enfatizados pela cultura matriarcal do povo de santo. Nossa Senhora tem a face da Morte (é Nanã) e a face da Glória (é Oxum, e para alguns, Yemanjá também)


Ilustração Caribé

O caráter mítico que envolve os rituais da Irmandade da Boa Morte são singularmente expressos nas rezas, cânticos, danças, gestos, culinária, indumentárias, e obviamente na relação que essas mulheres tem com a morte, a vida e o divertimento (samba de roda).

Todo mes de agosto acontece a Festa da Boa Morte, uma das manifestações mais representativas do sincretismo religioso afro-brasileiro.


Ó Maria, ó Mãe minha
Salvadora dos mortais
Me guiai e amparai
Para as pátrias celestiais
Aos vossos pés estamos nós
Hoje entoando em altas voz
Ó Maria, ó Mãe de Deus
Rogai, rogai, rogai por nós
Rogai, rogai, rogai por nós
Contra mim do inferno
Embora surge o ferro tentador
Doce virgem nessa hora
Socorrei-me com a dor
Aos vossos pés estamos nós
Hoje entoando em altas voz
Ó Maria, ó Mãe de Deus
Rogai, rogai, rogai por nós
Rogai, rogai, rogai por nós


Durante três dias, missas, procissões, vigílias noturnas, ceias, sambas de roda, bumba-meu-boi, esmola cantada, capoeira, caboclinhos e cantigas de povo santo se alternam numa fusão de religiosidade, música e cores. Uma explosão cultural emoldurada por um dos mais belos cenários do Brasil, a cidade de Cachoeira, monumento nacional, tombada pelo Patrimônio Histórico em 1971.

2 comentários:

Enzo disse...

Essa festa é simplismente
maravilhosa. A religiosidade
no Brasil é muito rica,e neste caso em especifico
mostra a cultura afro com
todo seu sincretismo.
Parabéns pelo seu blog, é
muito bom aprender sobre as
maravilhas de nosso país.

Anônimo disse...

Adorei,muito lindo.