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| Foto:Rafael Andrade/Folha |
segunda-feira, 6 de junho de 2011
domingo, 5 de junho de 2011
Sandra, Sandra...
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Luis Fernando Veríssimo
Diga-se a favor da Cecilinha que ela esperou o marido acordar antes de fazer a pergunta. Não acordou o Tonho a tapa. Não tentou sufocá-lo com o travesseiro. Esperou. E quando o Tonho finalmente abriu os olhos, perguntou:

Luis Fernando Veríssimo
Diga-se a favor da Cecilinha que ela esperou o marido acordar antes de fazer a pergunta. Não acordou o Tonho a tapa. Não tentou sufocá-lo com o travesseiro. Esperou. E quando o Tonho finalmente abriu os olhos, perguntou:
- Quem é a Sandra?
O Tonho piscou. Olhou em volta como se tivesse acordado numa ilha exótica, sem reconhecer nada. Depois fixou-se no rosto da mulher como se ela fosse da fauna da ilha. E disse:
- Ahn?
- Quem é a Sandra?
- Quem?
- A Sandra. Você estava sonhando e disse o nome dela. Sandra, Sandra... Assim. Nesse tom. Quem é ela?
- E eu sei?
- O sonho era seu. Você não se lembra de quem estava no seu sonho?
- Eu nem me lembro do sonho!
***
Cecilinha não se convenceu. Decidiu ficar acordada toda a noite enquanto o Tonho dormia, para flagrar outro "Sandra, Sandra..." e aí sim, acordar o Tonho a tapa para saber quem era. Dormiria de dia, quando o Tonho estivesse no trabalho. À noite, manteria sua vigília. E claro que o Tonho também passou a dormir mal, com o risco de sonhar, dizer o nome "Sandra" e ser atacado pela mulher. Ninguém pode controlar os próprios sonhos. Ninguém escolhe o que vai dizer enquanto dorme.
***
De um ponto de vista puramente legal, ou mesmo ético, Tonho tinha toda a razão para se queixar da mulher. Aquilo não era justo. Um homem inconsciente é um homem indefeso. Um homem dormindo não pode ser responsabilizado pelos seus atos, e muito menos pelo que diz, durante um sonho. Nada do que ele fala dormindo pode ser usado contra ele, pois ele estaria se autoincriminando sem, literalmente, saber o que diz.
***
Nenhum destes argumentos comoveu a Cecilinha.
- Não me enrola. Quem é a Sandra?
- Eu não conheço nenhuma Sandra!
- Quem é a mulher dos seus sonhos?
- Eu não sei!
***
E a verdade é que o Tonho não sabia mesmo. Não conhecia nenhuma Sandra. Se sonhava com uma Sandra, esquecia o sonho. A Sandra podia muito bem acabar com o seu casamento sem nunca ter existido, sem aparecer nem em sonho. Sem nunca ter a cabeça dele entre seus seios para ele dizer "Sandra, Sandra..." daquele jeito, naquele tom. Não adiantou ele inventar que Sandra era o nome de uma tia querida, morta havia anos. Segundo a Cecilinha, ninguém diria "Sandra, Sandra..." daquele jeito para uma tia. Não adiantou ele uma noite fingir que dormia e dizer "Cecilinha, Cecilinha..." no mesmo tom. Só serviu para ela chamá-lo de farsante e piorar o clima entre os dois.
***
E como era impossível continuar com aquele "Sandra, Sandra..." assombrando seu casamento - e como os dois andavam irritadiços com a falta de sono - resolveram se divorciar.
fonte: O Estado de S.Paulo
quarta-feira, 1 de junho de 2011
terça-feira, 24 de maio de 2011
terça-feira, 17 de maio de 2011
Oscar Niemeyer expõe obras do colombiano Fernando Botero
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O Museu Oscar Niemeyer abre ao público nesta quinta-feira (19) a mostra “Dores da Colômbia”, com 67 obras de Fernanco Botero que poderão ser vistas em Curitiba até 14 de agosto. A abertura para jornalistas e convidados acontece um dia antes, na quarta-feira (18), às 19h. Uma hora antes, às 18h, acontece no Pátio Externo do Museu o lançamento do projeto de exposição “Da Materialidade ao Vazio”, de Márcio Prado.
A mostra reúne 67 obras, incluindo seis aquarelas, 36 desenhos e 25 pinturas, produzidos entre 1999 e 2004. Ao contrário do sentido satírico encontrado na maioria das obras de Fernando Botero (Medellín, 1932), nesta série o que se destaca é a força pictórica do artista para descrever a violência sofrida pelo seu povo na Colômbia. Ele queria chamar a atenção do mundo e fez isso com seu próprio testemunho da história colombiana.

Os abusos sofridos pelo povo como consequência da ação de grupos guerrilheiros, políticos e paramilitares resultou no exílio de 1,5 milhão de colombianos nas últimas décadas. Embora retrate uma situação trágica de um período bem determinado, Botero criou as composições com pinceladas de cores vibrantes.
“Dores da Colômbia” dialoga com uma corrente artística que vincula a arte à política. Desse contexto fazem parte outros artistas representativos que imprimiram discurso e fatos históricos em suas telas. Francisco Goya com “Desastres da Guerra” e Pablo Picasso com “Guernica” recriam, à sua maneira, atos cometidos durante períodos de turbulência vividos em seus países.
Em mais um gesto de solidariedade ao seu povo, Botero fez a doação da coleção ao Museu Nacional da Colômbia e declarou: “Não vou fazer negócio com a dor do meu país”. “Longe de pensar em benefícios econômicos, o artista quer que as obras pertençam à nação e sejam um convite à reflexão sobre as trágicas circunstâncias que temos enfrentado nas últimas décadas”, explica a diretora do museu colombiano, Maria Victoria Robayo.

A exposição tem curadoria do próprio Museu Nacional da Colômbia, localizado em Bogotá. O conjunto de obras faz parte do programa de exposições itinerantes que tem entre os objetivos fazer um apelo à consciência para evitar que os horrores da guerra se repitam, assim como desejava Botero.
Pela segunda vez no Brasil, a série foi exibida inicialmente em Brasília. Depois de ser apresentada em Curitiba, segue para o Rio de Janeiro e Salvador. Em 2007, a mostra foi exibida no Memorial da América Latina, em São Paulo.
O ARTISTA – Pintor e escultor, Botero é um dos artistas mais prestigiados da América Latina e tem peças expostas nos mais importantes museus internacionais. Entre as suas obras mais conhecidas estão as releituras bem-humoradas e satíricas de “O Casal Arnolfini”, de Jan van Eyck, e “Mona Lisa”, de Leonardo da Vinci. Em ambas, figuras humanas e animais são pintados de forma arredondada e estática. Esse padrão estético é a marca registrada do artista que por meio de sua arte tornou-se o embaixador cultural da Colômbia pelo mundo. Um dos renomados artistas latino-americanos ainda vivos, Botero mora atualmente na França.
Serviço: Exposição “Dores da Colômbia”.
De 19 de maio a 14 de agosto
Local: Museu Oscar Niemeyer (Rua Marechal Hermes, 999), Curitiba – Paraná.
Visitas: de terça a domingo, das 10h às 18h (venda de ingressos até 17h30).
Entrada: R$ 4,00 e R$ 2,00 para estudantes com carteirinha. Gratuito para grupos agendados da rede pública, do ensino fundamental e médio, para crianças até 12 anos, maiores de 60 anos e no primeiro domingo de cada mês.
Informações: (41) 3350-4400.
Fotografia:
www.museuoscarniemeyer.org.br/imprensa.htm
Assessoria de Comunicação
MON - Maria Tereza Bocardi
imprensa@mon.org.br
(41) 3350-4479 e 4432

O Museu Oscar Niemeyer abre ao público nesta quinta-feira (19) a mostra “Dores da Colômbia”, com 67 obras de Fernanco Botero que poderão ser vistas em Curitiba até 14 de agosto. A abertura para jornalistas e convidados acontece um dia antes, na quarta-feira (18), às 19h. Uma hora antes, às 18h, acontece no Pátio Externo do Museu o lançamento do projeto de exposição “Da Materialidade ao Vazio”, de Márcio Prado.
A mostra reúne 67 obras, incluindo seis aquarelas, 36 desenhos e 25 pinturas, produzidos entre 1999 e 2004. Ao contrário do sentido satírico encontrado na maioria das obras de Fernando Botero (Medellín, 1932), nesta série o que se destaca é a força pictórica do artista para descrever a violência sofrida pelo seu povo na Colômbia. Ele queria chamar a atenção do mundo e fez isso com seu próprio testemunho da história colombiana.

Os abusos sofridos pelo povo como consequência da ação de grupos guerrilheiros, políticos e paramilitares resultou no exílio de 1,5 milhão de colombianos nas últimas décadas. Embora retrate uma situação trágica de um período bem determinado, Botero criou as composições com pinceladas de cores vibrantes.
“Dores da Colômbia” dialoga com uma corrente artística que vincula a arte à política. Desse contexto fazem parte outros artistas representativos que imprimiram discurso e fatos históricos em suas telas. Francisco Goya com “Desastres da Guerra” e Pablo Picasso com “Guernica” recriam, à sua maneira, atos cometidos durante períodos de turbulência vividos em seus países.
Em mais um gesto de solidariedade ao seu povo, Botero fez a doação da coleção ao Museu Nacional da Colômbia e declarou: “Não vou fazer negócio com a dor do meu país”. “Longe de pensar em benefícios econômicos, o artista quer que as obras pertençam à nação e sejam um convite à reflexão sobre as trágicas circunstâncias que temos enfrentado nas últimas décadas”, explica a diretora do museu colombiano, Maria Victoria Robayo.

A exposição tem curadoria do próprio Museu Nacional da Colômbia, localizado em Bogotá. O conjunto de obras faz parte do programa de exposições itinerantes que tem entre os objetivos fazer um apelo à consciência para evitar que os horrores da guerra se repitam, assim como desejava Botero.
Pela segunda vez no Brasil, a série foi exibida inicialmente em Brasília. Depois de ser apresentada em Curitiba, segue para o Rio de Janeiro e Salvador. Em 2007, a mostra foi exibida no Memorial da América Latina, em São Paulo.
O ARTISTA – Pintor e escultor, Botero é um dos artistas mais prestigiados da América Latina e tem peças expostas nos mais importantes museus internacionais. Entre as suas obras mais conhecidas estão as releituras bem-humoradas e satíricas de “O Casal Arnolfini”, de Jan van Eyck, e “Mona Lisa”, de Leonardo da Vinci. Em ambas, figuras humanas e animais são pintados de forma arredondada e estática. Esse padrão estético é a marca registrada do artista que por meio de sua arte tornou-se o embaixador cultural da Colômbia pelo mundo. Um dos renomados artistas latino-americanos ainda vivos, Botero mora atualmente na França.
Serviço: Exposição “Dores da Colômbia”.
De 19 de maio a 14 de agosto
Local: Museu Oscar Niemeyer (Rua Marechal Hermes, 999), Curitiba – Paraná.
Visitas: de terça a domingo, das 10h às 18h (venda de ingressos até 17h30).
Entrada: R$ 4,00 e R$ 2,00 para estudantes com carteirinha. Gratuito para grupos agendados da rede pública, do ensino fundamental e médio, para crianças até 12 anos, maiores de 60 anos e no primeiro domingo de cada mês.
Informações: (41) 3350-4400.
Fotografia:
www.museuoscarniemeyer.org.br/imprensa.htm
Assessoria de Comunicação
MON - Maria Tereza Bocardi
imprensa@mon.org.br
(41) 3350-4479 e 4432
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Sim ou não
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Alice Ruiz e Estrela Ruiz Leminski
O sim tem três letras
O não também
Talvez tem seis
Porque é a soma
do que os outros dois têm
A diferença entre eles é o til
Que o sim não tem
E o não tem sim
a gente só diz sim
ou não
e se, às vezes,
diz talvez
quer dizer
um desses dois
ou sim
ou não
pelo sim e pelo não
não diga só talvez
diga não
não não é talvez
diga sim
sim não é talvez
ou não
fonte:Alice Ruiz
Alice Ruiz e Estrela Ruiz Leminski
O sim tem três letras
O não também
Talvez tem seis
Porque é a soma
do que os outros dois têm
A diferença entre eles é o til
Que o sim não tem
E o não tem sim
a gente só diz sim
ou não
e se, às vezes,
diz talvez
quer dizer
um desses dois
ou sim
ou não
pelo sim e pelo não
não diga só talvez
diga não
não não é talvez
diga sim
sim não é talvez
ou não
fonte:Alice Ruiz
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