segunda-feira, 31 de agosto de 2009
sábado, 29 de agosto de 2009
Erik Johansson
Erik Johansson é Sueco fotógrafo e faz manipulações de seus trabalhos no photoshop. Ispirações? Sua vida, Salvador Dali, René Magritte entre outros artistas.
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segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Artista italiano usa corrimão de escadas rolantes para fazer animações

Fabiano Rampazzo
Para que serve uma escada rolante? A maioria das pessoas responderia algo como "para eu poder subir e descer de um andar ao outro, oras". Ok, correto. Mas um artista italiano, cujo nome ele prefere manter em sigilo, viu algo além nessas máquinas rolantes já tão adaptadas ao nosso dia-dia. "Tive esta idéia porque já vinha trabalhando com animação e, ultimamente, as manifestações artísticas mais interessantes que vi foram em espaços públicos. Daí a idéia de fazer esta intervenção, unindo as duas coisas", disse ele.
Conhecido como "Escalator Animation", o trabalho de K, como prefere ser identificado o artista, pode ser visto em shoppings e metrôs da Itália em plena luz do dia. Uma vez nas escadas rolantes, ele fixa adesivos em série, um ao lado do outro, perfilados em seqüência, criando assim uma curiosa animação conforme a escada se movimenta.
"Colo cinco adesivos de cada vez até montar a seqüência completa. Não é simples, mas tenho a ajuda de um grande amigo nisso". Ele explica ainda que nunca pára a escada rolante, ela está sempre em movimento, e que também nunca teve autorização oficial para fazer a animação - fatos tornam seu trabalho mais difícil e desafiador. "A polícia está atrás de mim faz tempo", confessou.
Inspiração
O artista italiano disse que sempre viu semelhança entre o corrimão de uma escada rolante e a fita de um filme. "Ambos são pretos e, com uma seqüência de imagens lado a lado, sempre pensei que um corrimão poderia facilmente se parecer com um filme", comentou. Além disso, K disse ainda já ter visto propagandas em corrimão de escadas rolantes, mas sempre com as mesmas imagens repetidas. "No meu vídeo as imagens mudam constantemente e isso faz toda a diferença".
Sobre seu anonimato, K disse que quanto menos informações passar com relação a seus dados pessoais, menos problemas terá com a polícia. O vídeo relacionado a est matéria foi gravado, segundo seu autor, no início da tarde em um passeio público de Milão - sem conhecimento das autoridades locais, claro. Não fica difícil imaginar, assim, que estes desenhos não estejam mais lá. "Por isso o registro em vídeo é tão importante", conclui o Mister M das escadas rolantes.
Especial para Terra
sábado, 22 de agosto de 2009
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
terça-feira, 18 de agosto de 2009
ATÉ QUANDO , ó Catilina...

Catilina abusa de nossa paciência
FREI BETTO
Calígula, desgostoso com o Senado, nomearia senador seu cavalo Incitatus, com direito a 18 assessores e um colar de pedras preciosas
"ATÉ QUANDO , ó Catilina, abusarás da nossa paciência?", indagou Marco Túlio Cícero ao senador Lúcio Sérgio Catilina, a 8 de novembro de 63 a.C., em Roma. Flagrado em atitudes criminosas, Catilina se recusa a renunciar ao mandato.
Cícero, orador emérito, respeitado por sua conduta ética na política e na vida pessoal, pôs em sua boca a indignação popular: "Por quanto tempo ainda há de zombar de nós essa tua loucura? A que extremos se há de precipitar a tua audácia sem freio? Nem a guarda do Palatino, nem a ronda noturna da cidade, nem os temores do povo, nem a afluência de todos os homens de bem, nem este local tão bem protegido para reunião do Senado, nem o olhar e o aspecto destes senadores, nada disso conseguiu perturbar-te? Não sentes que os teus planos estão à vista de todos?".
"Ó tempos, ó costumes!", exclamou Cícero, movido por atormentada perplexidade diante da insensibilidade do acusado. "Que há, pois, ó Catilina, que ainda agora possas esperar, se nem a noite, com suas trevas, pode manter ocultos os teus criminosos conluios; nem uma casa particular pode conter, com suas paredes, os segredos da tua conspiração; se tudo vem à luz do dia, se tudo irrompe em público?"
Jurista, Cícero se esforçou para que Catilina admitisse os seus graves erros: "É tempo, acredita-me, de mudares essas disposições; desiste das chacinas e dos incêndios. Estás apanhado por todos os lados. Todos os teus planos são para nós mais claros que a luz do dia".
Se Catilina permanecia no Senado, não era apenas a vontade própria que o sustentava, mas sobretudo a cumplicidade dos que teriam a perder, com a renúncia dele, proveitos políticos. Daí a exclamação de Cícero: "Em que país do mundo estamos nós, afinal? Que governo é o nosso?"..
Cícero não temia ameaças e expressava o que lhe ditava o decoro: "Já não podes conviver por mais tempo conosco; não o suporto, não o tolero, não o consinto. (...) Que nódoa de escândalos familiares não foi gravada a fogo na tua vida? Que ignomínia de vida particular não anda ligada à tua reputação? (...) Refiro-me a fatos que dizem respeito não à infâmia pessoal dos teus vícios, não à tua penúria doméstica e à tua má fama, mas sim aos superiores interesses do Estado e à vida e segurança de todos nós".
Os crimes de Catilina escancaravam-se à nação. Seus próprios pares o evitavam, como assinalou Cícero: "E agora, que vida é essa que levas? Desejo neste momento falar-te de modo que se veja que não sou movido pelo rancor, que eu te deveria ter, mas por uma compaixão que tu em nada mereces. Entraste há pouco neste Senado. Quem, dentre esta tão vasta assembleia, dentre todos os teus amigos e parentes, te saudou? Se isso, desde que há memória dos homens, a ninguém aconteceu, ainda esperas que te insultem com palavras quando te encontras esmagado pela pesadíssima condenação do silêncio?".
Catilina fingia não se dar conta da gravidade da situação. Fazia ouvidos moucos, jurava inocência, agarrava-se doentiamente a seu mandato.
"Se os meus escravos me temessem da maneira que todos os teus concidadãos te receiam", bradou Cícero, "eu, por Hércules, sentir-me-ia compelido a deixar a minha casa; e tu, a esta cidade, não pensas que é teu dever abandoná-la? E se eu me visse, ainda que injustamente, tão gravemente suspeito e detestado pelos meus concidadãos, preferiria ficar privado da sua vista a ser alvo do olhar hostil de toda a gente; e tu, apesar de reconheceres, pela consciência que tens dos teus crimes, que é justo e de há muito merecido o ódio que todos nutrem por ti, estás a hesitar em fugir da vista e da presença de todos aqueles a quem tu atinges na alma e no coração?"
Cícero não demonstrava esperança de que seu libelo fosse ouvido: "Mas de que servem as minhas palavras? A ti, como pode alguma coisa fazer-te dobrar? Tu, como poderás algum dia corrigir-te?". E não poupou os políticos que, apesar de tudo, apoiavam Catilina: "Há, todavia, nesta ordem de senadores, alguns que ou não veem aquilo que nos ameaça ou fingem ignorar aquilo que veem".
Acuado, Catilina se refugiou na Etrúria e morreu em 62 a.C. Cícero, afastado do Senado por Júlio César, foi assassinado em 43 a.C. Um século depois, Calígula, desgostoso com o Senado, nomearia senador seu cavalo Incitatus, com direito a 18 assessores, um colar de pedras preciosas, mantas de cor púrpura e uma estátua, em tamanho real, de mármore com pedestal em marfim.
CARLOS ALBERTO LIBÂNIO CHRISTO , o Frei Betto, 64, frade dominicano, é assessor de movimentos sociais e escritor, autor de "Calendário do Poder" (Rocco), entre outros livros. Foi assessor especial da Presidência da República (2003-2004).
Veja também Discurso de Cícero contra Catilina http://www.culturabrasil.pro.br/catilinaria.htm
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