Então

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

O poder da fofoca




Fernando Reinach



A fofoca não tem boa fama, mas a informação transmitida por meio desse mecanismo de comunicação é considerado importante na formação e manutenção das relações entre humanos. Pela fofoca sabemos o que esperar de futuras interações com outros membros do grupo.
Claro que muitas vezes a informação é distorcida, mas a maioria dos estudos demonstra que ela pode ser muito útil. Cientistas que estudam macacos descobriram que esses animais, apesar de não possuírem a capacidade de comunicação verbal dos humanos, também fofocam. Eles obtêm informações sobre outros membros do grupo observando seu comportamento em atividades como a retirada de parasitas, o compartilhamento da comida e jogos corporais que simulam confrontos.
Na realidade, a fofoca altera nosso comportamento frente às pessoas sobre as quais fofocamos. Até agora se acreditava que essa modificação era mediada por nosso sistema cognitivo consciente ("Sei que ele é agressivo, portanto vou agir cuidadosamente"). Mas um experimento simples demonstrou que a natureza da informação que recebemos pela fofoca altera o funcionamento de nosso sistema visual independentemente de nossa vontade consciente.
O experimento usa uma característica muito estudada de nosso sistema visual. Quando cada um de nossos olhos é submetido a uma imagem distinta, nossa atenção se divide entre as duas imagens. Primeiro observamos uma das imagens e depois a outra - e assim sucessivamente, até satisfazermos nossa curiosidade. Isto ocorre porque nossa consciência não é capaz de se concentrar simultaneamente nas duas imagens e o sistema visual, operando sem controle da consciência, seleciona uma por vez.
Você pode repetir essa observação colocando dois objetos sobre uma mesa, separados por um pedaço vertical de papelão. Se você se debruçar sobre esses dois objetos de modo que o papelão garanta que cada olho só consiga observar um deles, você vai perceber que sua atenção flutua entre ambos.
O efeito é melhor se outra pessoa colocar em cada um de seus campos visuais objetos que você não havia observado com os dois olhos. Usando um sistema de duas teclas ligadas a dois cronômetros, você pode medir o tempo que seu cérebro se concentra em cada um dos objetos. Um aparato como esse foi usado para medir o efeito da fofoca sobre nosso sistema visual.
O experimento foi feito com grupos de cerca de 300 pessoas. Numa primeira fase, os voluntários observavam fotos de faces. Simultaneamente, era apresentada uma fofoca (por escrito) sobre esta pessoa. A frase poderia ter conotação social negativa ("atirou uma cadeira num colega"), positiva ("ajudou uma idosa a atravessar") ou neutra ("cruzou com uma pessoa na rua").
Imagem. Após observarem os pares de fotos e frases, essas pessoas eram colocadas em um aparelho capaz de projetar em cada olho uma imagem. Enquanto um dos olhos era submetido à foto de uma das faces, o outro via a foto de uma casa. O tempo que o cérebro dedicava a cada uma foi medido. Observou-se que o sistema visual divide o tempo que a imagem de cada olho ocupa na consciência. Mas se a face visualizada por um olho tivesse sido associada a uma fofoca negativa, o tempo gasto pelo cérebro examinando a imagem era muito maior que o tempo gasto caso a face tivesse sido associada a uma fofoca neutra ou positiva.
Será que bastava o fato ser negativo ou teria de ser socialmente negativo? Para testar esta possibilidade, outros voluntários se submeteram ao experimento, mas as frases foram trocadas de modo a prover informações negativas ("extraiu um dente"), positivas ("sentiu o calor do Sol na face") ou neutra ("fechou a cortina"), mas sem conotação social. Nesses casos, a informação não influenciava o tempo que o sistema visual apresentava a face à consciência.
Esse resultado demonstra que provavelmente estamos pré-programados a prestar atenção em pessoas que foram alvo de fofocas socialmente negativas. Não é sem razão que muitos políticos seguem à risca o mote "falem mal, mas falem de mim", uma maneira segura de garantir que, mesmo inconscientemente, daremos mais atenção a suas faces numa urna eletrônica.

BIÓLOGO

MAIS INFORMAÇÕES: THE VISUAL IMPACT OF GOSSIP. SCIENCE, VOL. 332, PÁG. 1.446, 2011
 
fonte: O Estado de S. Paulo

terça-feira, 9 de agosto de 2011

30 anos sem Glauber


Glauber Rocha, em 1979, no programa Abertura

André Setaro
De Salvador (BA)
Neste aziago mês de agosto, no vindouro dia 22, completa 30 anos (três décadas nada prodigiosas) da morte prematura do grande cineasta baiano Glauber Rocha. Nascido em Vitória da Conquista (interior da Bahia) em 14 de março de 1939, Glauber veio a falecer com apenas 42 anos de idade. Não vou, aqui, falar de sua obra, pois muitos já escreveram sobre ela, inclusive este que vos fala. Mas rememorar alguns encontros que tive com ele em Salvador, Bahia.
Não sou da geração de Glauber, porque vim ao mundo (sem ter sido consultado para isso) em outubro de 1950, 11 anos depois do nascimento do artista. O primeiro impacto glauberiano, por assim dizer, deu-se quando adentrei a sala do majestoso cinema Guarany (aos 14 anos) para ver Deus e o diabo na terra do sol, quando a estupefação tomou conta do adolescente que era. Considero esse filme o maior de toda a história do cinema brasileiro. No documentário O Guarany, de Cláudio Marques, há um depoimento de Orlando Senna sobre a exibição especial do filme para uma plateia de convidados. Terminada a exibição, um silêncio ensurdecedor tomou conta da sala para, minutos depois, desabar um choro convulsivo em quase todos os presentes. Deus e o diabo na terra do solconstituiu uma virada de página, um halo renovador, um sopro de esperança na construção de um cinema nacional autêntico e empenhado em suas raízes.
Colunista diário do jornal soteropolitano Tribuna da Bahia, num tempo em que não havia e-mail, levava, de dois em dois dias, as minhas colunas para entregá-las, em mãos, na redação. Corria o ano de 1976. Outubro. Glauber Rocha estava na Bahia para já ir adiantando a produção de A idade da terra. João Ubaldo Ribeiro, muito amigo de Glauber, era o redator-chefe da Tribuna. Quando ia pegar o elevador, eis que encontro Ubaldo e Glauber também a esperar o ascensor. De repente, Ubaldo me apresenta a Glauber: "Glauber, conhece o nosso crítico de cinema?" Subimos, e, na redação, Ubaldo foi para o seu aquário, enquanto Glauber, em pé, ficou a conversar comigo, a querer saber o motivo deOs condenados, de Zelito Viana, baseado em Oswald de Andrade, não ter, ainda, sido lançado em Salvador. Depois a conversa versou sobre diversos assuntos relacionados ao cinema. Glauber se queixou da crítica que cobrava dele um filme superior a Deus e o diabo. Segundo o cineasta, e aplico aqui a minha memória, um filme é como uma relação amorosa sexual: cada um tem um momento de êxtase diferente.
Enquanto conversava com Glauber na redação da Tribuna da Bahia, João Ubaldo Ribeiro saiu do seu aquário para saber se Glauber tinha comprado um tênis, porque o que usava estava muito gasto. O cineasta de Terra em transe apontou para o pé e mostrou o seu luzidio tênis ao autor de Viva o povo brasileiro. "Comprei na Baixa do Sapateiro" (um comércio, naquela época, considerado de segunda classe).
Dia seguinte, o jornalista Carlos Borges me disse que à tarde, na sala da diretoria da Tribuna, iria fazer uma entrevista com Glauber, e me convidou para participar juntamente com João Ubaldo Ribeiro. Glauber passou a tarde toda falando, e soltava o verbo por confiança em seu amigo Ubaldo. A fita cassete, depois de transcrita para a publicação no dia seguinte, foi-me dada por Borges. É um depoimento impressionante e Glauber, inclusive, faz uma antecipação da morte (da sua?). A fita, emprestei-a para um extra do DVD de Barravento, e o vento sabiamente a levou embora.
Corria o ano de 1978. Junho. Época de Copa do Mundo. Em Salvador, por todo canto da cidade, baianas, em trajes típicos, com seus tabuleiros armados nas ruas e avenidas e praças vendem acarajé, abará, bolinhos de estudante, entre outros quitutes da culinária baiana. Estava na Avenida Sete, perto da Praça da Piedade, comprando um acarajé, quando uma pessoa me pegou pelas costas. "Como vai, rapaz?" Era Glauber Rocha. Perto de onde me encontrava existia, no Largo Dois de julho, o cine Capri, que incendiou em 1980. Ele me perguntou se a sala exibidora estava aberta, porque nos horários dos jogos da Copa geralmente os cinemas fecham. Não soube responder, e ele me disse que ia começar um jogo e queria entrar numa sala para ver qualquer filme. Depois, conversando mais alguma coisa, que não me lembro, avistei sua esposa colombiana que, já adiante, chamava Glauber para sair daquele ponto de acarajé.
Bem, apesar de não ver neste depoimento nada de relevante para contar, considerei, no entanto, os meus encontros com Glauber um acontecimento extraordinário. Embora morando na Bahia, não fui ver as filmagens de A idade da terra. Há um documentário, de Roque Araújo, que tem um arquivo precioso dos bastidores das filmagens do filme, principalmente a briga de Glauber com Valentin Calderon de La Barca, diretor do Museu de Arte Sacra, onde Glauber filmou atrizes e figurantes vestidos de freiras dentro do museu. Quando soube, Calderon foi impedir a continuação da rodagem, e Glauber, enfurecido, o ameaçou.
Glauber Rocha como pessoa não era um homem arrogante, mas um temperamento agitado, que, por vezes, dava a impressão de um adolescente com a febre natural da juventude, apesar de já um indivíduo com quase quarenta anos, quando o conheci. Explosivo, algumas vezes, contudo, revela-se meio sentimental e, noutras, com aquele espírito de lutador indomável. Na conversa, ainda que atencioso, falava o tempo todo e, na sua ânsia oratória, não ouvia bem as perguntas nem deixava ninguém falar.
Um dos melhores livros sobre o autor de O dragão da maldade contra o santo guerreiro é "Glauber, esse vulcão", do jornalista João Carlos Teixeira Gomes, amigo dele desde a juventude e mais conhecido como Joca, o Pena de Aço. Além da biografia, Joca faz também uma análise de seus principais filmes.
Em 1986, na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia, coordenei um seminário que se chamou "5 anos sem Glauber", com a participação de Luiz Carlos Maciel, Joca, Dona Lúcia Rocha, Fernando da Rocha Peres, Racquel Gerber, Jommard Muniz de Britto, Fernando Rocha, Antonio Guerra, entre outros. Naquela época, achava-se que o Brasil estava há muito tempo - vejam só: apenas 5 anos - sem a presença daquele que gostava de jogar vatapá no ventilador. Glauber Rocha, sobre ser um artista como realizador cinematográfico, era, antes de tudo, um agitador, um animador cultural. Que faz muita falta ao Brasil de hoje.
André Setaro é crítico de cinema e professor de comunicação da Universidade Federal da Bahia (Ufba)


Fonte Terra Magazine.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Eduardo Galeano • Sangue Latino (2009)




Eduardo Galeano • Sangue Latino (2009) from La verdad Sin Tapujos on Vimeo.


Talvez es el episodio mas profundo de la serie.
Filmado en Uruguay en noviembre de 2009.

Diretor: Felipe Nepomuceno
Dir. de Fotografia: Breno Cunha
© 2010 Urca Filmes

sábado, 6 de agosto de 2011

Fundação Casa de Jorge Amado guarda rico acervo do escritor baiano





A fundação, que está situada no Centro Histórico de Salvador, abriga cerca de 250 mil documentos e livros traduzidos para 49 idiomas e publicados em 55 países. Amigos e familiares comentam a influência do povo e da cultura baiana na vida do escritor.


fonte: Espaço Aberto Salvador Globo News G1

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Como as nuvens são - Lázaro Ramos




Miguel é um menino que sente as coisas. E passa toda a vida tentando aprende com a dureza da vida, como se constrói uma identidade. Criado num ambiente pobre de afeto, ele aprende a enxergar nos detalhes, o segredo das coisas. E é nas nuvens que ele se vê espelhado, com todas as dificuldades e arestas da relação pais e filhos. Direção de Lázaro Ramos, roteiro de Elísio Lopes JR. Com Flavio Bauraqui, Clementino Kelé, entre outros.

Direção: Lázaro Ramos
Roteiro: Elisio Lopes
Produção Tânia Rocha

Elenco:

Flávio Bauraqui
Clementino Kelé
Tatiana Tiburco
Kaiky Bonifácio

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Cancion con todos


De fondo Canción con todos de Cesar Isella y Armando Tejada Gómez.
Interpretada por: Cesar Isella, Cuarteto Zupay, Pablo Milanés, Piero, Antonio Tarragó Ros , Silvio Rodríguez y Víctor Heredia