Beleza é uma percepção individual caracterizada normalmente pelo que é agradável aos sentidos. Esta percepção depende do contexto e do universo cognitivo do indivíduo que a observa. Através da história da humanidade a relação com a beleza tem sido frequentemente religiosa ou mística e transcendente, logo a beleza foi considerada muitas vezes como "aquilo que se aproxima da Divindade".
Também podemos considerar que beleza é, uma unidade dentro da variedade, unidade essa que deve ser harmônica da paz. A palavra beleza era utilizada originalmente para denominar exatidão, precisão; eventualmente a palavra adquiriu o significado de simetria. Beleza é aquilo que vemos e que podemos interpretar de modos diferentes.
É difícil se expressar em palavras o que é o "belo". Mas pode-se afirmar que a beleza é um conjunto de elementos que resultam naquilo que se considera belo. Uma das expressões utilizadas antigamente para definir a beleza feminina: "eram mulheres agradáveis aos olhos" ou "são mulheres formosas a vista".
Despedidas (Affonso Romano de Sant'Anna)
Começo a olhar as coisas como quem, se despedindo, se surpreende com a singularidade que cada coisa tem de ser e estar. Um beija-flor no entardecer desta montanha a meio metro de mim, tão íntimo, essas flores às quatro horas da tarde, tão cúmplices, a umidade da grama na sola dos pés, as estrelas daqui a pouco, que intimidade tenho com as estrelas quanto mais habito a noite! Nada mais é gratuito, tudo é ritual Começo a amar as coisas com o desprendimento que só têm os que amando tudo o que perderam já não mentem.
Bélgica
Márcia Bizzotto de Bruxelas para a BBC Brasil
O artista brasileiro Vik Muniz expõe um Che Guevara desenhado com feijão na mostra "Mapas Abertos" Uma mostra dedicada à fotografia contemporânea da América Latina é destaque da Bienal de Fotografia da Bélgica, "L'Été de la Photographie" ("O Verão da Fotografia", em tradução livre), que até o final de setembro promove uma série de exposições em 29 centros culturais das principais cidades do país. Para os quarenta artistas latino-americanos - procedentes do Brasil, Argentina, Cuba, Colômbia, Peru, Costa Rica, Venezuela, Guatemala e Equador -, a organização da Bienal selecionou o célebre Palácio de Belas Artes de Bruxelas (Bozar). "É uma resposta ao crescente interesse que os europeus têm por conhecer essa região", justifica o curador, o espanhol Alejandro Castellote. Com o nome de "Mapas Abertos", a mostra reúne duzentas obras realizadas entre 1991 e 2002, que refletem em imagens a cara e a alma da América Latina, um continente "impossível de ser delimitado geográfica ou culturalmente", Castellote afirma. Por isso, em vez organizar a mostra de acordo com os países dos artistas, o curador optou por dividir a exposição em capítulos que mostram "os rituais de identidade", os "cenários" e as "histórias alternativas" do continente. Mistura A Marginal Pinheiros de uma série de dez fotografias do brasileiro Cássio Vasconcellos divide espaço com as prostitutas do bairro mexicano La Merced nas fotografias de Maya Godad. Castellote também não se limitou à fotografia pura. As obras expostas misturam técnicas de colagem, manipulação digital, sobreposição e pintura, como na série "A Representação de Mulher Gorda Nua", da brasileira Fernanda Magalhães. O curador afirma que sua idéia era reunir trabalhos irreverentes e fugir dos temas "habituais" da arte latino-americana, como "utopias políticas e a denúncia das misérias sociais", mas o militantismo é gritante em algumas obras selecionadas. O brasileiro Vik Muniz expõe o retrato de um Che Guevara desenhado com feijão, o argentino Marcelo Brodsky protesta pelos ex-alunos do Colégio Nacional de Buenos Aires desaparecidos durante a ditadura militar e a fotógrafa e socióloga equatoriana Lucia Chiriboga denuncia a exploração de indígenas andinos. "Mapas Abertos" fica em cartaz no Bozar até 21 de setembro. http://diversao.uol.com.br/album/bbc/al_bienal_belgica_album.jhtm
Valores Foi numa registradora Em conversa informal Que a moeda de um centavo E uma nota de real Falavam de suas vidas E como eram divididas Frente ao abismo social
A moeda boquiaberta Ouvia a nota contar Quão bela era sua vida Sempre a se valorizar No bolso dos abastados Grã-finsos afortunados Em bancos a lhe guardar
E não menos espantada Ficava a nota graúda Ouvindo a pífia rodela Toda carente de ajuda Mostrando a situação Pois quem lhe tinha na mão Sofria pobreza aguda:
- Duvido que isso exista! Dizia o papel ao metal: -Temos estabilidade E equilibrio cambial Nessa nova econômia Valho mais do que eu valia Do que reclama afinal?
Responde a moeda então: - A coisa em baixo tá feia estamos como mosquitos presos grudados na teia Quem me possui só lamenta Sabe Deus como se aguenta Vivendo nessa perreia!
- Mas que pessimismo é esse? Retruca a nota gabosa: - A vida nesse país É coisa maravilhosa Pois não temos furacões E quem investe em ações Leva vida cor de rosa!
A moedinha coitada Tenta então argumentar: - Eu sei valoroso amigo Do quanto podes comprar Mas mesmo juntando a mim Outras moedas enfim Ninguém posso alimentar!
E a nota real exclama: - E Deus não é brasileiro? Ele mesmo quis assim É assim no mundo inteiro Existe o muito e o pouco Uns nascem para ser troco Outros lucro de banqueiro!
A moedinha assustada Calou-se de supetão Deixando o rico dinheiro Continuar sua esplanação E com discurso apurado Parecendo um deputado A nota revela então:
- Moeda minha moedinha Sofro com tua tristeza Darei pra ti a receita O segredo da nobreza Preste muita atenção Livrar-se da situação Exige muita destreza...
Tenha amigos influentes Mantenha a boca fechada Aceite qualquer proposta Que lhe for apresentada Procure logo um doleiro Viage para o estrangeiro Numa conta de fachada...
Em paraisos fiscais Valores não se repara Nem mesmo a proviniência Isso então é coisa rara Pra deixar de ser merreca Esconda-se até em cueca Perca a vergonha na cara...
Deixando de ser moedinha Torna-se-a capital Verá crescer teu sucesso No distrito federal Lá meu amigo eu bem sei Serás assim como um rei Terás poder sem igual...
Entenda o que lhe digo E torne-se valoroso Conheça as cartas do jogo Todo o esquema criminoso Aceitando a realidade No país da impunidade Não se pode ser piedoso!
Eis que mergulhada em lágrimas Tentando justificar O centavo emocionado Tenta a nota retrucar: _Tem de haver outra saída Não acredito que essa vida Pra sempre assim vá ficar!
O assunto é interrompido Quando os dois de uma só vez São retirados da caixa Para o bolso de um burguês E a moeda religiosa Diz pra nota toda prosa Que ali milagre se fez:
- Veja meu caro real Parece até brincadeira Mas dividimos agora o espaço dessa carteira hoje tornei-me alguém creio que um dia também toda nação brasileira
Mas alegria de pobre Por certo não dura nada E a moeda dentre todas Foi por fim utilizada Pra da sola do sapato Retirar côco de gato E no bueiro foi jogada
Mediante a cena bizarra Diz a nota um tanto fria: - A pobre agora entendeu O mundo faz de valia A quem cede a seus engodos, Pois o sol nasceu pra todos Mas sombra se negocia.
Italiano iniciou a sua atividade na área da pintura em 1928. Em 1930 estudou Direito na Universidade de Palermo, mas deixou o curso logo após ter participado na Quadrienal de Roma em 1931. O seu estilo inicial era marcado sobretudo pelas idéias do Novecento italiano, mas a partir de 1933 Renato Guttuso passa a ser influenciado pela chamada pintura metafísica de Carrá e De Chirico. Em 1939 expõe com a associação anti-fascista "Corrente" e em 1940, integra o partido comunista do qual se tornou senador em 1976. Depois da II Guerra Mundial, Renato Guttuso torna-se uma das figuras centrais do processo de transformação cultural em Itália, tendo formado o grupo Fronte Nuovo delle Arti, em Roma. Entre 1952 e 1972, participa regularmente na Bienal de Veneza. Em 1977 participa na documenta 6, em Kassel e em 1982 faz uma grande retrospectiva do seu trabalho no Palácio Grassi em Veneza. Renato Guttuso foi um dos líderes do socialismo realista em Itália.
Ó Mulher! Como és fraca e como és forte! Como sabes ser doce e desgraçada! Como sabes fingir quando em teu peito A tua alma se estorce amargurada! Quantas morrem saudosa duma imagem. Adorada que amaram doidamente! Quantas e quantas almas endoidecem Enquanto a boca rir alegremente! Quanta paixão e amor às vezes têm Sem nunca o confessarem a ninguém Doce alma de dor e sofrimento! Paixão que faria a felicidade. Dum rei; amor de sonho e de saudade, Que se esvai e que foge num lamento!
Video em homenagem ao 2 de Julho, Independência da Bahia que decretou de uma vez a Independência do Brasil dos portugueses.
A comemoração do dia 2 de Julho é uma celebração às tropas do Exército e da Marinha Brasileira que, através de muitas lutas, conseguiram a separação definitiva do Brasil do domínio de Portugal, em 1823. Neste dia as tropas brasileiras entraram na cidade de Salvador, que era ocupada pelo exército português, tomando a cidade de volta e consolidando a vitória. Esta é uma data máxima para a Bahia e uma das mais importantes para a nação, já que, mesmo com a declaração de independente, em 1822, o Brasil ainda precisava se livrar das tropas portuguesas que persistiam em continuar em algumas províncias. Então, pela sua importância, principalmente para os baianos, todos os anos a Bahia celebra o 2 de Julho. Tropas militares relembram a entrada do Exército na cidade e uma série de homenagens são feitas aos combatentes. Entre todas as comemorações, a do ano de 1849 teve um convidado muito especial. O marechal Pedro Labatut, que liderou a tropas brasileiras nas primeiras ofensivas ao Exército Português, participou do desfile, já bastante debilitado e sem recursos financeiros, mas com a felicidade de homenagear as tropas das quais fez parte. Para chegar a este dia, muita luta foi travada... O Brasil do início do século XVIII ainda era dominado por Portugal, enquanto o Rio de Janeiro, Pernambuco, Minas Gerais e a Bahia continuavam lutando pela independência. As províncias não suportavam mais a situação e, percebendo os privilégios que o Rio de Janeiro estava recebendo por ser a capital, Pernambuco e Bahia resolveram se rebelar. Recife deu início a uma revolução anti-colonial em 6 de março de 1817. Esta revolução tinha uma ligação com a Bahia, já que havia grupos conspiradores compostos por militares, proprietários de engenhos, trabalhadores liberais e comerciantes. Ao saber desta movimentação, o então governador da Bahia, D. Marcos de Noronha e Brito advertiu alguns deles pessoalmente. O governo estava em cima dos conspiradores e, devido à violenta série de assassinatos, muito baianos resolveram desistir. Com toda esta repressão, a revolução de Recife acabou sendo derrotada. Os presos pernambucanos foram trazidos para a Bahia, sendo muitos fuzilados no Campo da Pólvora ou presos na prisão de Aljube, onde grande personagens baianos também estavam presos. Movimentação pela independência: Diante das insatisfações, começaram as guerras pela independência. Os oficiais militares e civis baianos passaram a restringir a Junta Provisória do Governo da Bahia, que ditava as ordens na época, e com esta atitude foi formado um grupo conspirativo que realizou a manifestação de 3 de Novembro de 1821. Esta manifestação exigia o fim da Junta Provisória, mas foi impedida pela "Legião Constitucional Lusitana", ordenada pelo coronel Francisco de Paula e Oliveira. Os dias se passaram e os conflitos continuavam intensos. Muitos brasileiros morreram em combate. Força portuguesa: No dia 31 de Janeiro de 1822 a Junta Provisória foi modificada. E depois de alguns dias, chegou de Portugal um decreto que nomeava o brigadeiro português, Ignácio Luiz Madeira de Mello, o novo governador de Armas. Os oficias brasileiros não aceitavam esta imposição, pois este decreto teria que passar primeiro pela Câmara Municipal. Houve, então, forte resistência que envolveu muitos civis e militares. Madeira de Mello não perdeu tempo e colocou as tropas portuguesas em prontidão, declarando que iria tomar posse. No dia 19 de fevereiro, os portugueses começaram a invadir quartéis, o forte São Pedro, inclusive o convento da Lapa, onde haviam alguns soldados brasileiros. Neste episódio, a abadessa Sónor Joana Angélica tentou impedir a entrada das tropas, mas acabou sendo morta. Concluída a ocupação militar portuguesa em Salvador, Madeira de Mello fortaleceu as ligações entre a Bahia e Portugal. Assim a cidade recebeu novas tropas portuguesas e muitas famílias baianas fugiram para as cidades do recôncavo. Contra-ataque brasileiro: No recôncavo, houve outras lutas para a independência das cidades e o fortalecimento do exército brasileiro. O coronel Joaquim Pires de Carvalho reuniu todo seu armamento e tropas e entregou o comando ao general Pedro Labatut. Este, assim que assumiu, intimidou Madeira de Mello. Labatut organizou todo seu exército em duas brigadas e iniciou uma série de providências. Aos poucos o exército brasileiro veio conquistando novos territórios até chegar próximo a cidade de Salvador. Madeira de Mello recebeu novas tropas de Portugal e pretendia fechar o cerco pela ilha de Itaparica e Barra do Paraguaçu. Esta atitude preocupava os brasileiros, mas os movimentos de defesa do território cresciam. E foi na defesa da Barra do Paraguaçu que Maria Quitéria de Jesus Medeiros se destacou, uma corajosa mulher que vestiu as fardas de soldado do batalhão de "Voluntários do Príncipe" e lutou em defesa do Brasil. Em maio de 1823, Labatut, em uma demostração de autoridade, ordenou prisões de oficiais brasileiros, mesmo sendo avisado do erro que estava cometendo, e acabou sendo cassado do comando e preso. O coronel José Joaquim de Lima e Silva assumiu o comando geral do Exército e no dia 3 de Junho ordenou uma grande ofensiva contra os portugueses. Com a força da Marinha Brasileira, o coronel apertou o cerco contra a cidade de Salvador, que estava sob domínio português, restringindo o abastecimento de materiais de primeira necessidade. Diante destes fortes ataques e das necessidades que estavam passando, Madeira de Mello enviou apelos e acabou se rendendo. Com a vitória, o Exército Brasileiro entrou em Salvador consolidando a retomada da cidade e fim da ocupação portuguesa no Brasil.